O MDB não terá, pela primeira vez, nenhum representante na composição da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O resultado interrompe sequência iniciada em 1966, ano de registro da versão inicial do partido, ainda sob a ditadura militar, quando os primeiros deputados estaduais emedebistas conseguiram assentos.
O vazio deste ano é o ponto mais baixo de uma redução gradual no número de cadeiras conquistadas pela sigla. Os 10 gabinetes obtidos em 2014 se tornaram sete quatro anos depois. Em 2022, foram reduzidos a dois.
Um deles é o presidente do Parlamento, Tadeu Leite, que optou por não buscar a reeleição e já está indicado para vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG). O outro, João Magalhães, até teve bom resultado nas urnas e garantiu a reeleição, mas pelo PSD, partido para o qual migrou no início deste ano.
Candidato mais votado da chapa do MDB à Assembleia, Arlen Santiago, um dos decanos da Casa, conseguiu 70,7 mil votos. O segundo colocado da nominata, Cleitinho — um homônimo do governador eleito — obteve o apoio de 9,9 mil eleitores.
O ponto alto do MDB mineiro no que tange ao Legislativo estadual após a redemocratização veio em 1986, na primeira eleição no âmbito da redemocratização. À ocasião, em um contexto marcado pelos reflexos do fim do bipartidarismo e pelo início da trajetória de agremiações como o PT, a sigla amealhou 41 assentos.
Longe de uma cadeira
Os componentes da chapa do MDB conquistaram, juntos, 114,2 mil votos. O resultado foi insuficiente para assegurar um dos 77 assentos no plenário porque o Democrata, partido com o menor desempenho a conquistar uma vaga, obteve o apoio de 177,7 mil eleitores.
Os 70,7 mil votos de Arlen representam mais da metade de Cabo Gregório Silva, o beneficiário do desempenho do Democrata. Ele terá um gabinete legislativo após conseguir 32,8 mil votos.
A seguir, O Fator detalha o desempenho do MDB em todas as eleições para a ALMG desde a fundação da primeira versão da sigla, sob a égide do bipartidarismo do regime de exceção.
- 2026 – nenhum;
- 2022 – 2;
- 2018 – 7;
- 2014 – 10;
- 2010 – 8;
- 2006 – 9;
- 2002 – 9;
- 1998 – 9;
- 1994 – 13;
- 1990 – 20;
- 1986 – 41;
- 1982 – 40;
- 1978 – 29;
- 1974 – 24;
- 1970 – 12;
- 1966 – 19.
Candidatos ao Senado não fizeram 1%
O desempenho ruim do MDB nas disputas legislativas não se restringe à ALMG. Manoel Carvalho e Arcanjo Pimenta, que representaram a sigla na corrida ao Senado Federal, não alcançaram 1% dos votos válidos nem mesmo com uma soma dos apoios conseguidos.
Carvalho terminou com 0,21%, o equivalente a 43,2 mil votos; Arcanjo conseguiu um pouco menos — 40,7 mil —, quantia que representa 0,2% dos válidos.
Presidente do partido renova mandato
A exceção foi Newton Cardoso Júnior, presidente do diretório emedebista em Minas. Candidato à reeleição para deputado federal, ele se credenciou a mais quatro anos em Brasília (DF), já que angariou 93,7 mil votos. Será a única cadeira da sigla entre as 53 do estado na Casa.
O primeiro suplente, José Eustáquio, rompeu por 89 votos a marca dos 13 mil.