Nos bastidores, campanha de Lula vê ausência no debate da Globo como um dos erros do primeiro turno

Interlocutores da campanha petista avaliam que presidente perdeu chance de confrontar Flávio Bolsonaro e de falar a indecisos
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante entrevista ao Jornal Nacional, nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro (RJ).
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, participou apenas de entrevista ao Jornal Nacional, nos Estúdios Globo, em 27 de agosto. Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação

A equipe de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que a decisão de não ir ao debate da TV Globo, previsto para quinta-feira (1º), foi um dos principais erros do primeiro turno.

O diagnóstico é feito no momento em que a campanha revisa o que pode mudar para não repetir o resultado no segundo turno. Neste domingo (4), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terminou à frente, com 47,07% dos votos válidos, contra 45,11% de Lula. A disputa será decidida em 25 de outubro.

Para integrantes da equipe ouvidos pela reportagem, o presidente perdeu a chance de confrontar Flávio diante do público. A leitura é de que o senador seria alvo também dos demais candidatos.

O grupo entende ainda que o debate abriria espaço para a apresentação de propostas e que o embate direto poderia ter alavancado a candidatura. Um exemplo citado é o de 2022, quando, na avaliação da equipe, os debates deram mais visibilidade ao petista diante da tentativa de reeleição do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A equipe reconhece que a campanha precisa melhorar a conversa nas redes sociais. Considera, porém, que o presidente não poderia ter se dado ao luxo de trocar a TV aberta por um podcast. O argumento é de que a audiência da televisão, embora menor do que há alguns anos, ainda alcança eleitores indecisos.

Depois da apuração, Lula sinalizou disposição para o confronto direto. “Eu sou muito bom no mata-mata”, disse. O presidente chamou o segundo turno de “prova dos nove” e admitiu que esperava vencer no primeiro.

Desenrolar dos fatos

Lula avisou que não iria ao último debate antes da votação e marcou entrevista ao Flow Podcast para o mesmo horário. A sinalização do presidente foi feita antes mesmo da disputa judicial em torno do programa.

Por meio de decisões monocráticas, ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proibiram a emissora de exibir em destaque o púlpito vazio do petista e incluíram Romeu Zema (Novo). Depois, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a inclusão de Renan Santos (Missão) na vaga aberta por Lula.

Flávio Bolsonaro desistiu cerca de duas horas antes do horário marcado e atribuiu a decisão ao que chamou de censura do TSE. Adversários afirmaram que o senador evitou virar alvo único no debate. A Globo cancelou o programa em seguida e citou as sucessivas decisões judiciais.

Fransciny Ferreira é jornalista, com especialização no setor público e em gestão de imagem. Atua na cobertura política, com experiência em redações, assessoria de imprensa e marketing digital. Foi editora-chefe de O Tempo em Brasília, assessora da Presidência do Senado e liderou estratégias de PR no setor farmacêutico. Sugestões de pautas para: [email protected]

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