As impressões deixadas por Cleitinho em reunião sobre o Rodoanel no TRF-6

Cotado para secretaria, diretor do Dnit foi o principal interlocutor do governador eleito em encontro nessa quinta-feira (29)
O governador eleito Cleitinho Azevedo
Governador eleito, Cleitinho é defensor do Rodoanel Metropolitano. Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Testemunhas da visita do governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), à sede do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), nessa quinta-feira (29), deixaram o encontro com a impressão de que o Diretor-Geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Fabrício Galvão, terá papel de destaque da área de Infraestrutura e Administração da futura administração estadual. 

A ida da comitiva de Cleitinho ao edifício-sede da Corte teve, como um dos objetivos, tratar do imbróglio jurídico que trava o início das obras do Rodoanel Metropolitano. Pelo que O Fator apurou, Galvão foi um dos integrantes do grupo que mais falou sobre o assunto. Como a reportagem mostrou na semana passada, ele é cotado para assumir a secretaria que cuida do tema.

O projeto do Rodoanel está paralisado por causa de uma disputa em torno da consulta livre, prévia e informada (CLPI) a comunidades quilombolas potencialmente afetadas pelo traçado da via. A Cleitinho, o presidente do TRF-6, o desembargador Ricardo Machado Rabelo, pontuou que a Corte segue estudando maneiras de conciliar o interesse das comunidades tradicionais ao plano do atual governo — e da gestão que assumirá em janeiro — de iniciar as obras.

Embora não haja avanço concreto, participantes da reunião dizem que Cleitinho se mostrou aberto ao diálogo para tentar contornar o impasse. 

Conforme O Fator já noticiou, Rabelo tem feito uma escuta dos envolvidos no empreendimento a fim de colher informações técnicas e processuais do caso. A iniciativa inclui a avaliação das posições do estado, dos municípios e das comunidades tradicionais antes de eventual construção de uma saída negociada.

Ideia de conciliação

Também em setembro, o prefeito de Contagem, Ricardo Faria (PSD), chegou a sugerir a outros chefes de Executivos municipais, ao governador Mateus Simões (PSD) e ao Judiciário a instauração de uma mesa de conciliação com os quilombolas que se dizem afetados pelo projeto viário.

O caso tramita na Justiça Federal a partir de uma ação civil pública ajuizada em 2022 pela Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais (N’Golo) e pela Prefeitura de Contagem.

No entendimento da N’Golo, a consulta deveria ter ocorrido antes de qualquer ato administrativo ligado à licitação, incluindo edital e minuta de contrato de concessão. Do outro lado, o estado alega que, em parcerias público-privadas, o momento adequado seria o licenciamento ambiental, sob responsabilidade da italiana INC S.P.A., que assinou o contrato de concessão em 2023.

O plano para o Rodoanel conta com R$ 3 bilhões oriundos do erário e R$ 2 bilhões de aporte da INC. Os valores referentes ao poder público são provenientes do Acordo de Brumadinho, assinado em 2021. Pelo trato, a Vale se comprometeu a pagar R$ 37,6 bilhões a título de reparação do rompimento da barragem do Córrego do Feijão, ocorrido dois anos antes.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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