Integrantes do Novo tentam ampliar a participação de Romeu Zema, candidato do partido à Presidência da República, na eleição em Minas Gerais nesta reta final. Correligionários criticam a ausência do ex-governador nas campanhas de aliados que concorrem a cargos legislativos. Também há o entendimento de que é preciso expandir o papel dele na busca do sucessor, Mateus Simões (PSD), pela reeleição.
O mergulho na campanha pessedista, contudo, não é consenso. Parte do entorno de Simões avalia que intensificar a associação a Zema neste momento pode ter o efeito reverso, uma vez que o ex-chefe do Executivo patina nas pesquisas.
Um levantamento divulgado pela Quaest nessa quarta-feira (23), por exemplo, mostra o ex-governador com 2% da preferência do eleitorado na etapa mineira da corrida ao Palácio do Planalto.
Apesar da resistência de uma ala, há o plano de aumentar o número de peças publicitárias em que Zema aparece ao lado de Simões. Para defensores do reforço à ligação entre ambos, existe apego excessivo aos levantamentos de intenção de voto.
Cobrança crescente
Do lado do Novo, as queixas partem da avaliação de que os candidatos à Assembleia Legislativa (ALMG) e à Câmara dos Deputados estão sem uma referência política para organizar as campanhas.
Zema não tem participado de agendas dos correligionários e, segundo relatos feitos à reportagem, passou a ser evitado por alguns políticos em materiais e atividades eleitorais.
Candidatos e dirigentes também apontam falta de apoio do diretório estadual e ausência de uma estratégia comum para as campanhas proporcionais, gerando um sentimento de insatisfação generalizada com a condução da legenda.
Aposta em prefeitos e acenos ao eleitorado bolsonarista
No que diz respeito a Mateus Simões, o plano, para além da participação de Zema, é intensificar a aposta no apoio de prefeitos.
Segundo soube O Fator, o governador ampliou o número de reuniões com chefes de Executivos municipais, que já vêm acontecendo há algumas semanas.
O pessedista, embora mantenha apoio ao antecessor no 1° turno, também busca sinalizar ao eleitorado bolsonarista. Em entrevistas, tem dito que caminhará com Flávio Bolsonaro (PL) caso ele passe para o 2° turno do pleito nacional e Zema fique fora.
Na Quaest, Simões aparece com 7% das intenções de voto, tecnicamente empatado com Alexandre Kalil (PDT), que possui 8%, e Flávio Roscoe (PL), que marcou 5%. Na liderança, está Cleitinho Azevedo (Republicanos), com 37%. Patrus Ananias (PT), segundo colocado, tem 16%.