Interlocutores do governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), e do presidente nacional do PSDB, o deputado federal Aécio Neves, chegaram a conversar recentemente sobre a possibilidade de uma aproximação entre as partes. A ideia, contudo, não avançou por causa de resistências mútuas.
Do lado tucano, por exemplo, a reticência está relacionada a uma alegada dificuldade de diálogo com Simões e seu antecessor, Romeu Zema (Novo).
Dois fatos do passado pesam nessa avaliação. O primeiro diz respeito ao ex-vice-governador Paulo Brant. Ele, que deixou o Novo em 2020 e embarcou no PSDB em 2021, foi isolado do primeiro governo de Zema.
O rompimento, com focos espalhados pelos os quatro anos de mandato, chegou ao ápice em 2022, quando o Brant teve o gabinete desfeito. A chapa à reeleição de Zema contou com Mateus Simões, enquanto o tucano concorreu a vice novamente, mas ao lado do correligionário Marcus Pestana.
Outra mágoa tucana diz respeito a declarações de Simões acerca da construção da Cidade Administrativa, erguida durante a gestão do PSDB. Em 2024, por exemplo, o atual governador, ainda como vice, chegou a declarar que houve superfaturamento e desvio de dinheiro público na obra.
O aceno ao PSDB
Mesmo com esses fatores sobre a mesa, as partes não descartam uma reaproximação. A possibilidade ainda é ventilada pela indecisão que marca a pré-campanha para o governo de Minas, sobretudo a partir da dúvida sobre a participação ou não do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) na corrida — ele lidera as pesquisas de intenção de voto feitas até o momento e, recentemente, sinalizou que pode bater o martelo apenas em agosto.
Além da articulação feita por emissários por uma reunião entre Aécio e Mateus Simões, houve um aceno recente do governo ao deputado federal tucano. A administração estadual deve inaugurar, nas próximas semanas, uma rodovia em Montezuma, na Região Norte, e dar ao corredor o nome de Aécio Cunha, pai do atual presidente tucano.
Um quente, outro frio
Mesmo com a indecisão acerca da campanha em Minas, o PSDB mantém conversas com pré-candidatos. Como já mostrou a reportagem, Aécio e outras lideranças do partido se reuniram com o ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT) e com o ex-vereador Gabriel Azevedo (MDB), ambos de BH, para discutir as tratativas.
Enquanto não há preferência por um nome específico, a reportagem apurou que o diálogo com Gabriel esfriou, após o emedebista se aproximar de forças à esquerda.
“Não vamos apoiar quem abre conversas com o PT”, disse um interlocutor tucano na esteira do encontro entre Azevedo e a ex-prefeita de Contagem Marília Campos, pré-candidata petista ao Senado Federal e, por isso, eventual concorrente de Aécio na corrida pela Casa Alta do Congresso.
Por outro lado, o diálogo com Kalil ganha força por dois motivos. O primeiro é pela boa impressão deixada pelo ex-prefeito nas conversas. As partes se mostraram dispostas a superar divergências da campanha de 2016, quando o ex-dirigente do Atlético derrotou o tucano João Leite na disputa pelo Executivo municipal.
Também pesa a favor de Kalil no momento a indefinição já citada. As dificuldades com Mateus e o distanciamento de Gabriel Azevedo deixam o ex-prefeito como possibilidade isolada para composição tucana.
O peso da campanha nacional
Um dos fatores importantes da equação é a falta de um candidato do PSDB à Presidência da República. Sem avançar nas tratativas por uma aliança na corrida do Palácio do Planalto, o partido encontra dificuldades, por consequência, para fechar um acordo em Minas que proteja a pré-candidatura de Aécio ao Senado.
Em 2022, o partido já não teve candidato ao Planalto, mas apoiou Simone Tebet (MDB) no primeiro turno. No segundo, a legenda liberou os diretórios estaduais, que se dividiram entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL).
PL distante
Fontes do PSDB também veem dificuldade de uma aliança com o PL no momento. Desde que Aécio assumiu a presidência da executiva nacional, o partido adotou uma linha contrária a polarização, na tentativa de se colocar como terceira via.
Assim, a composição com os liberais fica complicada, mas não inteiramente descartada. Caso Cleitinho confirme sua candidatura com apoio do PL e construa uma frente ampla conservadora, há chances dos tucanos caminharem juntos com a hipotética chapa.