As opções da Gerdau para florestas de eucalipto após encerramento das atividades em Divinópolis

Siderúrgica paralisou operações na cidade devido a condições de mercado
Planta da Gerdau em Divinópolis Foto: Gerdau/Divulgação

O encerramento das atividades da Gerdau em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais, joga luz sobre um ativo bilionário da siderúrgica: as florestas de eucalipto plantadas em 24 municípios do estado. A empresa é dona de mais de 200 mil hectares de plantações, sendo cerca de 120 mil destinadas às operações e 80 mil à conservação de biodiversidade.

Até então, os eucaliptos plantados davam origem ao carvão vegetal usado pela empresa na planta de Divinópolis. Sem produzir mais aço na usina, no entanto, a Gerdau precisará avaliar o que fazer com o ativo.

O Fator apurou que entre as opções para os hectares de eucalipto originalmente destinados à produção estão a venda no mercado — o que colocaria a Gerdau em um mercado onde grandes empresas já reinam, como Suzano, Klabin e Eldorado — ; e iniciar a comercialização de carvão vegetal com terceiros. Uma terceira alternativa seria vender as áreas de floresta, excluindo o perímetro de conservação.

De acordo com demonstrações financeiras da Gerdau publicadas em março deste ano, os ativos biológicos da empresa, que compreendem o cultivo de florestas de eucalipto para abastecimento de matéria-prima na produção de carvão vegetal, valiam R$ 1,4 bilhão em 2025.

Encerramento das atividades

A Gerdau anunciou nesta semana que paralisará suas operações em Divinópolis. Em comunicado à imprensa, a empresa afirmou que a decisão está relacionada, principalmente, à perda de competitividade da operação, em razão da ausência de fornecimento de minério de ferro a custos competitivos, fator que tem pressionado os custos de produção.

“Esse cenário é agravado pelo avanço das importações de aço no mercado brasileiro e pelas condições desfavoráveis do mercado internacional, especialmente para as exportações, historicamente relevantes para a operação da unidade”, diz.

“A medida está alinhada à estratégia da Gerdau de otimizar suas operações no Brasil, concentrando a produção de aço em ativos mais competitivos, eficientes e com maior nível tecnológico, de forma a assegurar a sustentabilidade de seus negócios no longo prazo”, acrescenta.

Em comunicado, a Prefeitura de Divinópolis, por sua vez, afirmou que a paralisação impacta diretamente cerca de 1 mil pessoas, entre trabalhadores próprios e terceiros, o equivalente a cerca de 7,4% do emprego industrial do município.

A prefeitura também afirmou que estudos apontam que a unidade agora paralisada representava até 15% do repasse de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) à cidade.

Formado em jornalismo pela PUC Minas, Pedro Lovisi trabalhou nas redações do jornal Estado de Minas e da Rádio Itatiaia. Nos últimos cinco anos, foi repórter da Folha de S.Paulo, onde se destacou pela cobertura econômica de setores ligados à transição energética, principalmente energia e mineração. Também é mestre em Governança Global e Formulação de Políticas Internacionais pela PUC SP, onde estudou instrumentos orçamentários para cidades mineradoras de Minas Gerais.

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