Candidatura própria do PT em Minas pode dividir aliança com PCdoB e PV

Integrantes de legendas que compõem federação liderada pelos petistas defendem composição com atores externos
Foto mostra bandeira do PT
Valores do fundão são definidos pelos diretórios do PT. Foto: Lula Marques/Agência PT

A decisão do PT de priorizar uma candidatura própria ao governo de Minas Gerais pode produzir ecos negativos na federação partidária liderada pela sigla, composta também por PCdoB e PV. O Fator apurou que ao menos uma parte dos verdes é favorável a dar apoio a Gabriel Azevedo, pré-candidato do MDB, enquanto outros filiados dizem que é preciso esperar a definição do nome petista para bater o martelo.

Já comunistas manifestam, nos bastidores, críticas à condução do processo e reivindicam a construção de uma frente com outros partidos.

A ideia de uma candidatura petista foi reforçada nesta quarta-feira (24) pela presidente da legenda em Minas, a deputada estadual Leninha. Líder de uma comitiva que se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Brasília (DF), ela pontuou que o encontro consolidou uma avaliação surgida no fim de maio, quando o senador Rodrigo Pacheco (PSB) oficializou a decisão de deixar a vida pública ao fim do atual mandato e a sigla aprovou resolução autorizando o debate por um nome puro-sangue.

“O entendimento construído coletivamente reafirma uma resolução decidida há um mês de que o Partido dos Trabalhadores vai apresentar uma candidatura própria em Minas Gerais”, declarou, após a agenda.

Em um cenário com candidatura própria do PT, o eventual apoio do PV a Gabriel precisará ser informal porque o partido de Lula é majoritário na federação. Cenário semelhante aconteceu no decorrer da eleição belo-horizontina de 2024, quando a legenda desembarcou da campanha de Rogério Correia e passou a fazer coro pela reeleição do prefeito Fuad Noman (PSD). À ocasião, uma ala do PCdoB também se juntou a Fuad.

Na contramão de Edinho

A predileção da cúpula do PT mineiro por uma candidatura própria vai na contramão do que tem pregado o presidente nacional do partido, Edinho Silva. Embora admita a possibilidade de um nome próprio, ele disse, na semana passada, que defende a continuidade de conversas com atores externos, como Gabriel e Jarbas Soares, ex-procurador-geral de Justiça e recentemente filiado ao PSB.

“Isso (a resolução sobre candidatura própria) é importante para que o partido não saia na defensiva nas negociações. Mas, claro, vamos dialogar com várias lideranças em Minas — inclusive o MDB”, pontuou Edinho à ocasião.

Júlio Soares é jornalista e mestre em Relações Internacionais pela PUC-Minas. Tem passagens pela Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Belo Horizonte, Assembleia Legislativa e Congresso Nacional. Atuou também em campanhas eleitorais e ofereceu gestão de conteúdo e marketing para entidades de classe e agências de publicidade.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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