Carta de Cleitinho a Marcos Pereira reuniu pedido de desculpas e compromisso com candidatura

Senador, que conseguiu aval para concorrer a governador, enviou ofício à cúpula do partido nessa quinta-feira (6)
Na foto, o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, e o senador mineiro Cleitinho Azevedo. Foto: Júlio Dutra/Republicanos
Na foto, o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, e o senador mineiro Cleitinho Azevedo. Foto: Júlio Dutra/Republicanos

O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) enviou na quinta-feira (6) uma carta ao presidente nacional do partido, o deputado federal Marcos Pereira (SP), para pedir desculpas pelas mudanças de posição sobre sua candidatura ao governo de Minas Gerais e assegurar que, se autorizado a concorrer, levaria a disputa até o fim.

O documento, obtido por O Fator nesta sexta-feira (7), antecedeu a decisão da cúpula de liberar a candidatura e o anúncio da chapa formada por Cleitinho e pelo ex-prefeito de Patos de Minas Luís Eduardo Falcão, também do Republicanos, como postulante a vice.

Na carta, Cleitinho atribui as oscilações ao abalo provocado pela morte do irmão, Matheus Azevedo, em 18 de julho. O senador havia afirmado no início da semana que não disputaria a eleição, mas buscou retomar as negociações com a cúpula do Republicanos a partir da convenção nacional da sigla, em Brasília (DF).

“Eu sei que isso trouxe preocupação e transtorno para todo mundо que trabalha e confia no Republicanos, e eu me sinto responsável por isso”, escreveu.

No documento, o parlamentar admite “idas e vindas nos últimos tempos” sobre a participação na corrida ao Palácio Tiradentes. Segundo ele, o falecimento de Matheus ocasionou uma “dor muito grande”.

“Por causa disso, eu acabei tomando decisão em cima da emoção, sem pensar direito nas consequências que isso ia trazer para o partido e para todos os companheiros que estão junto comigo nessa caminhada. Peço que o senhor entenda que não foi por falta de respeito, foi um momento difícil da minha vida”, prosseguiu.

Na carta, Cleitinho também reconhece a autoridade da direção nacional do Republicanos sobre as decisões eleitorais. Quando tentou recuar pela primeira vez da decisão pela desistência, recebeu uma negativa de Pereira.

“Sei que quem decide os rumos da legenda é a Executiva Nacional, e eu me coloco à disposição, com humildade, pra seguir aquilo que for decidido”, disse.

Compromissos

O senador prometeu atuar para eleger candidatos do Republicanos à Assembleia Legislativa (ALMG) e à Câmara dos Deputados.

“Prometo também que não vou desistir da campanha no meio do caminho. Vou seguir com a candidatura até o final do período eleitoral, custe o que custar, sem deixar o partido na mão outra vez”, declarou.

Cleitinho reafirmou que não utilizará recursos do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário. A intenção, conforme diz no ofício, é promover uma campanha “com simplicidade e com o apoio direto do povo”.

A carta confirma os termos apontados em nota divulgada nesta sexta-feira pelas executivas nacional e estadual do Republicanos. O partido informou que autorizou a candidatura depois de o senador reconhecer os erros, formalizar desculpas e assumir o compromisso de manter a campanha até o fim.

A direção também afirmou que a decisão considerou os pedidos de deputados e candidatos proporcionais por uma candidatura própria ao governo de Minas, o desempenho de Cleitinho nas pesquisas de intenção de voto e a promessa de não usar recursos partidários na campanha.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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