Executivos, investidores e gestores de fundos vão estar frente a frente, na semana que vem, com representantes de empresas e prefeituras do Centro-Oeste de Minas Gerais em um evento em São Paulo (SP). O objetivo do encontro é apresentar oportunidades de alocação de capital em empreendimentos na região. Entre as áreas que serão detalhadas estão logística, transição energética, consumo, varejo e agronegócio.
Batizada de Novo Oeste Minas Day, a conferência será realizada na quinta-feira (12). Os trunfos apresentados na busca por investimentos incluem a recente implantação do gasoduto de Divinópolis e os anúncios de aportes para a duplicação de trechos das rodovias BR-494 e BR-262. O aumento do número de galpões voltados ao armazenamento e à distribuição de mercadorias também compõe a lista de atrativos.
Segundo Fernando Passalio, ex-secretário de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais e fundador da Passalio Capital, uma das responsáveis pelo evento, o Centro-Oeste tem sete frentes possíveis para a captação de investimentos. De acordo com ele, cada eixo está ancorado em vocações que já existem no território.
“Há logística e real estate logístico, pela posição entre a Região Metropolitana de Belo Horizonte e o Triângulo, com Divinópolis como hub natural; healthcare, com dispositivos médicos, cosméticos e logística de saúde, puxados pela escala urbana de Divinópolis e pela proximidade de pólos farmacêuticos do estado; e agronegócio e proteína animal, onde Lagoa da Prata e Perdigão têm base instalada em lácteos, avicultura e nutrição animal”, afirma, em entrevista a O Fator.
“(Também há) metal-mecânica e bens de capital, com a tradição de fundição de Carmo da Mata e a indústria calçadista de Perdigão; química especial e embalagens, com Santo Antônio do Monte como referência em química fina e segurança industrial; transição energética, com gás natural e biometano abrindo uma rota nova para a indústria regional; e consumo e varejo, pela massa de renda de uma região com mais de um milhão de habitantes”, completa.
Cem empresas mapeadas
A Agência de Desenvolvimento Novo Oeste e o Sebrae Minas também estão na coordenação do encontro. De acordo com Passalio, o grupo mapeou 100 empresas cujos planos de expansão se encaixam nas possibilidades oferecidas pela região.
A equipe também fechou um acordo de cooperação técnica entre a Agência Novo Oeste e a Invest Minas, órgão do governo do estado voltado à promoção de investimentos, para estruturar um processo conjunto de prospecção.
“Percorremos os municípios, levantamos infraestrutura, áreas industriais, capital humano e arranjos produtivos, e construímos para cada um deles uma lista de empresas de fora de Minas com teses concretas de investimento”, explica.
Gasoduto é símbolo de ‘saída da fila’
O gás natural, uma das frentes citadas por Passalio, ganhou impulso em novembro do ano passado, quando o gasoduto de Divinópolis entrou em operação.
Passalio considera o gasoduto o ativo estrutural mais visível do Centro-Oeste e “o símbolo de que a região saiu da fila”, mas pondera que o empreendimento não pode ser analisado isoladamente
“O que torna o Centro-Oeste atraente é o conjunto: gás, posição logística, indústria consolidada, mão de obra formada e prefeituras que entenderam que atração de investimento é trabalho técnico contínuo”, avalia.
A Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) terá espaço na conferência. O presidente da empresa, Gustavo De Marchi, e o diretor Rodrigo Solha devem participar de um painel sobre infraestrutura, com mediação de Renato Garcia, gerente de negócios da Invest Minas.
Também estão previstas as participações da secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa, e do vice-presidente da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Ernando Antunes Braga.
A programação inclui ainda o painel “Investment Cases”, mediado pelo cofundador do QuintoAndar, André Penha. Devem participar Marcos Barroso, da Ramah Fundição, Thiago Martins, do Grupo ABC, e Paulo Henrique da Silva, da LocX.
Novo governo pode ampliar visibilidade
O fato de o governador eleito, Cleitinho Azevedo (Republicanos), ser natural de Divinópolis também favorece a região. Para Passalio, as raízes do futuro chefe do Executivo podem abrir portas junto a investidores. Ele alerta, no entanto, que a conexão geográfica não basta.
“Investidor decide com base em fundamentos: custo logístico, energia, licenciamento, terreno disponível, gente qualificada e previsibilidade regulatória. A origem do governador ajuda a chamar atenção; o que converte atenção em planta instalada é a política de desenvolvimento econômico do estado e a capacidade de execução dos municípios”, sustenta.
Segundo ele, o processo de prospecção foi desenhado para funcionar independentemente dos ciclos políticos.
“As teses, as listas de empresas e o acordo com a Invest Minas estão prontos e seguem valendo. Se o novo governo tratar a região como prioridade, ótimo. A base técnica já existe para acelerar”, afirma.
Ainda conforme Passalio, embora os prefeitos sejam aguardados para o evento, o foco será nos dados.
“Esse é o formato que pretendo levar a outras regiões de Minas e também para outros estados: diagnóstico territorial sério, teses de investimento com empresa-alvo identificada e uma vitrine qualificada no mercado financeiro”, projeta.