Grupos ligados à direita passaram a defender o voto casado em Carlos Viana (PSD) e Domingos Sávio (PL) na disputa pelo Senado Federal. Apesar de a ideia ter sido diretamente levada a ambos por apoiadores em comum, O Fator apurou que não haverá dobradinha oficial.
Aliados dos dois admitem que a combinação acontece de modo espontâneo em parte do interior, mas elencam entraves para uma combinação formal, deixando lideranças locais livres para estimular o movimento, com acenos de parte a parte.
Do lado de Sávio, a avaliação é que abraçar o movimento formalmente neste momento poderia impulsionar Viana a ponto de fazer o deputado federal perder terreno na disputa pelas duas vagas. A leitura contrasta com a interpretação dos defensores do plano, que enxergam uma união como caminho mais viável para brecar Marília Campos (PT).
Já o grupo de Viana pondera que não há tempo hábil suficiente para uma aliança de papel passado. Assim, também encampa a visão de que a construção precisa acontecer por meio de cabos eleitorais regionais.
Nas entrelinhas
Mesmo sem uma oficialização da dobradinha, Sávio e Viana vêm trocando afagos pontuais.
Na segunda-feira (21), durante agenda em Juiz de Fora, na Zona da Mata, o pessedista chegou a gravar um vídeo ao lado de um apoiador mostrando simpatia à ideia.
“É preciso que o Senado tenha maioria de direita, para que a gente possa enfrentar e devolver ao país a confiança nas instituições. Tenho compromisso com esse trabalho e Domingos Sávio também está empenhado em levá-lo a Brasília”, diz, em trecho do material, obtido por O Fator.
Dias antes, ao gravar com o mesmo apoiador após um culto em uma igreja juízforana, Sávio reconheceu que, na congregação, há inclinação para o voto combinado entre ele e o pessedista. O gesto foi interpretado pelo entorno de Viana como uma forma indireta de mobilizar os grupos
Caso pontual
A campanha do PL à Casa Alta do Congresso Nacional tem mantido distância de dobradinhas oficiais. Mesmo a costura que levou Sávio ao palanque de Marco Antônio Costa, o Superman, do Novo, é tratada como informal.
A aliança nasceu da influência do deputado federal liberal Nikolas Ferreira, que atuou para aproximá-los.