Como Cleitinho recebeu PEC de Simões para reajustar salários das forças de segurança

Depois de texto sobre redução do IPVA, chefe do Executivo enviou à ALMG proposta para automatizar recomposições inflacionárias
Cleitinho Azevedo e Mateus Simões
O governador eleito Cleitinho Azevedo e o governador em exercício, Mateus Simões, durante debate. Foto: Junia Garrido/Band

O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), disse não ter alinhado com o atual chefe do Executivo estadual, Mateus Simões (PSD), o envio à Assembleia Legislativa (ALMG) da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para automatizar a reposição inflacionária dos servidores da segurança pública. 

Em entrevista a O Fator nesta terça-feira (20), Cleitinho afirmou que o atual ocupante do cargo já poderia ter encaminhado o texto aos parlamentares.

“Vocês poderiam chamar o Mateus aqui, fazer uma entrevista com ele e perguntar porque não fez antes e está fazendo agora. Ele poderia ter feito antes. Mas o povo pode ficar tranquilo, porque o que falei durante a campanha a gente vai fazer durante o mandato”, pontuou.

Simões assinou a PEC nessa segunda-feira (19). A proposição, que será analisada em dois turnos pelos deputados estaduais, estabelece uma revisão remuneratória anual, preferencialmente em abril, a policiais militares, civis e penais, agentes socioeducativos e servidores de órgãos ligados ao arcabouço da segurança pública. 

A proposição enviada nesta semana tem relação com uma PEC de teor similar, feita por Câmaras Municipais de cidades do estado e remetida à ALMG em 2024. Em abril deste ano, Simões passou a defender a aprovação desse texto como caminho para garantir a reposição inflacionária anual. 

À ocasião, entretanto, o presidente da Casa, Tadeu Leite (MDB), pediu que o Executivo encaminhasse um texto de autoria própria. Segundo ele, a política remuneratória dos servidores estaduais é de competência exclusiva do governo.

“A medida tem como objetivo suprir qualquer eventual questionamento acerca de vício de iniciativa legislativa em relação a matéria similar apresentada na Proposta de Emenda à Constituição nº 40/2024, de autoria de Câmaras Municipais, e garantir o compromisso pretérito firmado para que as forças de segurança do Estado estejam protegidas de eventuais pressões externas relacionadas à sua remuneração”, lê-se em trecho da justificativa da PEC de Simões.

IPVA em jogo

É a segunda proposta enviada por Simões à Assembleia em menos de uma semana. Na quarta-feira (14), ele subscreveu um texto que autoriza o governo a reduzir em até 75% as alíquotas do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) a partir de 2027. A diminuição dos percentuais foi uma das bandeiras encampadas por Cleitinho ao longo da campanha.

A alíquota do IPVA, cabe ressaltar, não é uniforme e varia conforme a unidade federativa e o tipo de automóvel. Em território mineiro, o índice é de 4% para carros, veículos utilitários e caminhonetes de cabine dupla. Para caminhonetes do tipo pick-up e furgões, a taxa é de 3%.

O percentual cai para 2% quando diz respeito a motocicletas. Ônibus, micro-ônibus, veículos de carga e automóveis de locadoras pagam 1%. A taxa recai sobre o valor venal (médio) do bem.

Na semana passada, ao comentar a autorização buscada por Simões para uma eventual redução do IPVA, a equipe de Cleitinho pregou cautela fiscal.

“Serão realizados estudos para estruturar e apresentar o projeto com transparência, responsabilidade fiscal considerando a realidade financeira do estado e foco no alívio ao contribuinte”, informou.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Ana Mendonça é jornalista e estudante de Ciência Política, ex-colunista do Estado de Minas, onde cobriu os bastidores da política mineira por 8 anos. Em 2024, foi reconhecida no 30 Under 30 da International News Media Association.

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