Divisão do fundão eleitoral do PT em Minas gera reclamações entre candidatos

Deputados que disputam a reeleição vão receber R$ 1,8 milhão; faixas mais baixas ficam com até R$ 50,7 mil e contestam
Foto mostra bandeira do PT
Valores do fundão são definidos pelos diretórios do PT. Foto: Lula Marques/Agência PT

A tabela que distribui o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) entre os candidatos do PT a deputado federal em Minas Gerais abriu uma disputa interna no partido. Postulantes classificados nos grupos G2, G3 e G4,, considerados não prioritários, questionam os critérios usados pela direção estadual para hierarquizar a chapa e definir o tamanho de cada repasse.

No topo da lista estão os nove parlamentares que buscam a reeleição: Ana Pimentel, Dandara Tonantzin, Leonardo Monteiro, Miguel Ângelo, Padre João, Paulo Guedes, Reginaldo Lopes e Rogério Correia. Cada um receberá R$ 1,8 milhão. Completa a relação Gilmar Machado, recentemente chamado pela Justiça Eleitoral para herdar a vaga hoje nas mãos do tucano Glaycon Franco, mas ainda não empossado.

O grupo seguinte, o G1, reúne as candidaturas apontadas como prioritárias e com mais chance de eleição, como a deputada estadual Bella Gonçalves, a tesoureira nacional do PT Gleide Andrade e o vereador de Belo Horizonte Pedro Rousseff. Nessa faixa, o repasse é de R$ 975 mil para homens e de R$ 1,3 milhão para mulheres.

A partir do G2, os valores caem de forma acentuada. Nessa faixa, as mulheres têm direito a R$ 317 mil; os homens, a R$ 244 mil. O patamar tem cinco candidaturas: Adriana Araújo, Ana Elisa, João Gabriel Prates, João Mares Guia e Professora Iara Pimentel –

No G3, com seis nomes – Joana Darc Guimarães, Marilda Simeão, Nanci Menezes, Professora Joelma, Titia Chiba e Viviane Santos – os montantes são de R$ 97,5 mil para homens e R$ 50,7 mil para mulheres.

A diferença entre os extremos é de mais de 18 vezes. É esse intervalo, bem como a falta de parâmetros públicos que expliquem por que nomes com votação semelhante em 2022 foram alocados em faixas distintas, que sustenta a reclamação dos preteridos.

A lista mineira traz ainda um quarto grupo, o G4, com 11 candidaturas: Alair Dimas, Amantino Andrade, Edinaldo Soares, Irnac Valadares, José Geraldo, Luisinho Corredor, Lula Tio do Biscoito, Márcio do Nasa, Professor Joaquim Teófilo, Ramsés de Castro e Sargento Ademir. A faixa não conta com repasses do fundão.

Pela resolução aprovada pela Comissão Executiva Nacional, a ordenação das candidaturas por prioridade cabe às comissões executivas estaduais; a destinação final do dinheiro é decidida pelo Grupo de Trabalho Nacional. A mesma classificação orienta o acesso ao tempo de propaganda em rádio e televisão.

O bolo nacional

O fundão de 2026 foi fixado em R$ 4,96 bilhões. O PT ficou com a segunda maior fatia, R$ 615,4 milhões, atrás do PL. Desse total, 20,64% estão reservados à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 43,06% às candidaturas à Câmara e 10,08% às disputas ao Senado.

A direção nacional também restringiu o uso do fundo a candidatos do próprio PT, com exceção de chapas majoritárias que tenham um filiado do partido como vice.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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