Escolas particulares perdem 10% das matrículas e podem conter reajuste das mensalidades em 2026

Queda nas inscrições faz instituições reverem aumento previsto entre 7% e 10% para atrair novos alunos e manter os atuais
Devido à queda na demanda, escolas tendem a negociar reajustes caso a caso com as famílias. Foto: Arquivo/Agência Brasil

As escolas particulares de Minas Gerais registram queda média de 10% no número de matrículas em relação ao ano passado, movimento que tende a conter o reajuste das mensalidades previsto para 2026, inicialmente estimado entre 7% e 10%. A projeção é do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino de Minas Gerais (Sinepe MG).

Entre os motivos da baixa adesão está a realidade financeira das famílias, mais tímida do que no ano passado. Há, ainda, segundo o superintendente do Sinepe MG, Paulo Leite, o movimento de desenvolvimento da qualidade da educação infantil das escolas municipais, que não têm custo e concorrem de igual para igual com muitas das particulares voltadas às crianças menores, impactando na oferta dessas instituições.

Escolas ampliam negociações

De acordo com ele, a redução nas matrículas tem levado muitas escolas a rever as estratégias comerciais para evitar novas perdas. “As escolas se movimentam para ampliar as negociações e não perder alunos, tentando reverter essa queda momentânea de 10% em relação ao período anterior”, explica. 

Em vez de repassar integralmente os custos, as instituições têm adotado bolsas e descontos proporcionais à renda familiar, que neutralizam os aumentos, mantendo, em muitos casos, os valores praticados em 2025.

A decisão de reajustar ou não as mensalidades depende, segundo Leite, da realidade de cada instituição e da competição local. “Há escolas que, por causa da diminuição do número de alunos, optam por não aumentar as mensalidades. Se o fizerem, correm o risco de perder parte expressiva do público”, afirma. Outras, no entanto, têm demanda para a elevação.

As negociações ocorrem de forma dinâmica e devem se intensificar nos próximos meses. O superintendente observa que o efeito real dessa política só poderá ser medido no início do ano letivo. 

“É um processo reativo, determinado pela concorrência. As escolas ajustam valores conforme a movimentação do mercado, e não por decisão isolada”, analisa.

Custos operacionais do setor 

Apesar da tentativa de conter reajustes, o superintendente afirma que os custos operacionais do setor seguem pressionados. Segundo ele, este, aliás, é o motivo pelo qual o aumento inicial nas mensalidades estava previsto para além da inflação acumulada de 5,17% nos 12 meses encerrados em setembro, conforme o IBGE.

Como responsáveis pelo aumento dos gastos ele cita o crescimento das demandas de inclusão escolar, que exige a contratação de monitores e profissionais especializados, as adaptações de acessibilidade exigidas por lei, as mudanças pedagógicas orientadas por novas diretrizes do ensino e o aumento dos investimentos em segurança nas unidades, puxada pela elevação da violência no ambiente escolar. 

Também contribui para aumentar os gastos a necessidade de oferecer atividades extracurriculares para manter a competitividade. Como exemplo, ele cita aulas de tecnologia, robótica e línguas estrangeiras.

O peso da folha de pagamento é outro elemento central na formação das mensalidades. De acordo com o representante do Sinepe MG, os gastos com pessoal representam de 40% a 60% dos custos variáveis das instituições. 

Instituições de pequeno porte têm reajustes menores?

Sobre a diferença entre instituições de grande e pequeno porte, Leite avalia que, em geral, os percentuais de reajuste não variam de forma significativa. Quando há diferença, ela se relaciona à capacidade de investimento das escolas maiores, que buscam sustentar um padrão de ensino e infraestrutura mais elevado. 

“As famílias associam preços mais altos a um nível superior de qualidade, e essas escolas se esforçam para mostrar os investimentos que justificam esse valor”, afirma o superintendente.

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