A Polícia Federal (PF) investiga se a Agência Nacional de Mineração (ANM) favoreceu a 3D Minerals. A mineradora, dos empresários Eduardo Wanderley e Daniel Wanderley, foi financiada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O Fator teve acesso a um pedido da PF sobre o tema enviado em abril ao diretor-geral da ANM, Mauro Henrique Moreira Souza.
Nele, investigadores solicitam ao órgão regulador uma série de informações, como cópias de documentos referentes à 3D e dados sobre eventuais sanções aos empresários da família Wanderley.
Os elementos, segundo a PF, instruirão um inquérito policial que investiga possíveis fraudes em um leilão organizado pela agência.
A 3D Minerals foi a maior vencedora de um leilão organizado pela ANM em agosto de 2024, 45 dias depois de ser criada. A companhia desembolsou R$ 126 milhões para ter o direito minerário de quase 300 áreas espalhadas pelo país.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada em fevereiro, o banco Master financiou grande parte deste valor e teve como garantia metade das ações da empresa.
No mesmo certame, a diretoria da ANM aceitou que a 3D Minerals revertesse um lance de R$ 37,6 milhões para R$ 3,76 milhões. Na ocasião, a mineradora argumentou que havia cometido um erro e inserido um zero a mais na proposta.
A delegada
O pedido feito pela PF em abril é assinado pela delegada Valéria Vieira Pereira da Silva, que em maio foi afastada sob suspeita de ter vazado informações sigilosas a um núcleo criminoso comandado por Vorcaro. Ela é acusada de acessar inquéritos em que não trabalhava e, na sequência, por meio de seu marido, transmitir detalhes ao grupo
Apesar do afastamento de Valéria, a investigação sobre a 3D Minerals, conduzida pela superintendência da PF em Minas Gerais, segue em andamento. Documentos da ANM aos quais O Fator teve acesso apontam que, na segunda-feira (6), a corporação voltou a cobrar da agência a entrega de informações.