Governo de Minas abre investigações contra empresas por contrato de R$ 348 milhões para compra de livros sem licitação

Suspeita é de que empresa pagou viagens para servidores da Educação, responsáveis pela parceria durante gestão de Rossieli Soares
Livros didáticos em mesa
Imagem meramente ilustrativa. Foto: reprodução/MEC.

A Controladoria-Geral do Estado de Minas Gerais (CGE-MG) abriu duas investigações contra as empresas envolvidas no contrato de R$ 348 milhões para compra de 3,5 milhões de livros didáticos sem licitação. Um primeiro Processo Administrativo de Responsabilização (PAR) foi instaurado contra a Somos Sistemas de Ensino, enquanto um segundo tem a Fazer Educação como alvo. Os dois atos foram oficializados nesta sexta-feira (4).

As suspeitas em torno desse acordo culminaram na demissão, em 28 de abril deste ano, de Rossieli Soares do posto de secretário de Educação. À época, o Palácio Tiradentes justificou a exoneração com uma investigação preliminar da CGE-MG.

Com as duas portarias, a Controladoria vai apurar se a Somos Sistemas de Ensino — controlada pela Cogna Educação — pagou passagens e hospedagens para servidores da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE-MG), responsáveis por fases do processo de contratação da pasta. Segundo a portaria da Controladoria, a estratégia serviria “para viabilizar aproximação institucional” entre o ente privado e os agentes públicos.

O segundo procedimento vai apurar o papel da Fazer Educação como intermediadora entre a SEE e a Somos Sistemas de Ensino. Segundo a portaria, essa empresa pode ter sido “utilizada como veículo operacional da contratação fraudulenta”.

Se condenadas, as empresas podem receber advertência; multa e impedimento de licitar e contratar com o poder público; e declaração de inidoneidade para licitar ou contratar. Além disso, a investigação da CGE não impede aplicação de outras sanções, como por meio da Lei Anticorrupção.

O contrato de R$ 348 milhões foi assinado em dezembro do ano passado. Até a suspensão, o governo repassou cerca de R$ 172 milhões à empresa. Os livros adquiridos não foram distribuídos e se acumulam nas escolas, segundo a Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

O material era destinado às disciplinas de matemática, língua portuguesa e outros conteúdos multidisciplinares para os ensinos fundamental e médio.

Ata de registro de preços

Como O Fator já mostrou, o contrato junto à Somos Educação foi firmado por meio da adesão a uma ata de registro de preços da Fundação para o Desenvolvimento da Educação de São Paulo. Quando há a entrada em uma ata de registro de preços, um órgão público pode adquirir itens pelo preço presente no documento, sem a necessidade de abrir nova disputa.

Além da investigação conduzida pela CGE, a deputada Beatriz Cerqueira (PT) chegou a acionar o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e o Ministério Público Federal (MPF) para apurar a questão.

O Fator procurou Rossieli Soares para saber se ele deseja se posicionar sobre o caso. O espaço segue aberto.

Repórter de bastidores e orientado por dados de O Fator em Belo Horizonte, onde cobre política e mercado. Também é professor da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas, onde leciona disciplina ligada ao jornalismo de dados. Trabalhou por sete anos no jornal Estado de Minas, onde foi repórter e coordenador de jornalismo de dados. Também trabalhou no caderno de política do jornal O TEMPO por dois anos. É master em Jornalismo de Dados, Automação e Data Storytelling pelo Insper.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Leia também:

Favoritos do Novo deixam Zema em segundo plano nas redes sociais

Justiça Eleitoral determina que Mateus Simões suspenda campanha em duas contas nas redes

Governo de Minas abre investigações contra empresas por contrato de R$ 348 milhões para compra de livros sem licitação

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse