Governo de Minas aposta em compensação previdenciária para diminuir dívida com a União

Projeto diz que o uso das compensações futuras como forma de amortizar o passivo não trará prejuízos à Previdência Estadual
O texto sobre a compensação previdenciária é, assim como outros ligados ao Propag, de natureza autorizativa. Foto: Agência Minas

O arcabouço encaminhado pelo governador Romeu Zema (Novo) a deputados estaduais a fim de possibilitar a adesão de Minas Gerais ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag) tem um projeto de lei para autorizar o repasse, à União, de créditos financeiros que o estado tem a receber por causa da compensação entre o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) e o Regime Geral de Previdência Social (RGPS). O pacote de propostas contém 13 textos e chegou à Assembleia Legislativa nesta quarta-feira (7).

O acerto de contas entre os regimes previdenciários está previsto em uma lei federal de 1999. Estados e municípios, quando instituíram regimes previdenciários próprios, ganharam o direito de receber uma compensação financeira do RGPS, vinculado à União.

A necessidade de restituir os governos locais foi definida porque, anteriormente à criação dos regimes próprios, os servidores estaduais e municipais contribuíram com o Regime Geral.

“Considerando que o Estado atualmente não recebe toda a compensação previdenciária a que tem direito, uma vez que esta demanda um acerto de contas com a União, e que o déficit do Regime Próprio de Previdência Social – RPPS estadual já é suportado pelo próprio Estado, a medida não acarretaria impactos significativos e viabilizaria a utilização imediata dos créditos para amortização dos valores devidos”, lê-se em trecho da justificativa do projeto, obtido por O Fator.

Segundo o Palácio Tiradentes, o uso das compensações futuras como forma de amortizar o passivo junto à União, que no ano passado beirou os R$ 165 bilhões, não trará prejuízos à Previdência Estadual. A garantia passa por um compromisso do governo mineiro de reaplicar, no caixa do regime próprio, os valores que forem utilizados a reboque do Propag.

“Trata-se de medida que faz parte do grupo de projetos de lei que estão relacionados à adesão do Estado ao Propag, possuindo relevante potencial de amortização e pagamento da dívida, bem como de cumprimento de obrigações estabelecidas no programa”, defende o projeto.

O texto sobre a compensação previdenciária é, assim como outros ligados ao Propag, de natureza autorizativa. Assim, mesmo que os parlamentares deem aval ao uso dos créditos previdenciários, a decisão final caberá exclusivamente a Zema.

O pacote Propag considera a federalização da Empresa Mineira de Comunicação (EMC), responsável pela Rede Minas e pela Rádio Inconfidência. O governo mineiro também quer repassar à União a Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg).

Com a presença no pacote Propag, EMC e Uemg se juntam a outros ativos estaduais cuja federalização é aventada pelo estado para reduzir a dívida. A lista tem, por exemplo, a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Cemig).

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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