MP denuncia ex-diretor e ex-gerente da Gasmig por tentativa de mudar contrato para beneficiar empresa privada

Representação diz que outros integrantes da cúpula da estatal sofreram ameaças para aceitar mudança contratual
gasoduto amarelo
Gasoduto da Gasmig ​Foto: Divlugação

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou o ex-diretor comercial e um gerente da Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) por suposta tentativa de modificar um contrato para beneficiar uma empresa privada de operação de gases industriais. A mudança, segundo o MPMG, causaria prejuízo de R$ 5 milhões à estatal.​

Na peça enviada à Justiça, a 17ª Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Belo Horizonte pede que Henrique Pereira Dourado, que era diretor comercial, e Valério Francisco Duarte Sales, gerente de Grandes Clientes, respondam por tentativa de facilitar interesse privado perante a administração pública. Dourado foi demitido da Gasmig após ser afastado judicialmente durante a investigação.​

Segundo o MPMG, os denunciados tentaram mudar o contrato entre a Gasmig e a empresa privada para reduzir a quantidade diária de gás contratada e prorrogar o prazo do acordo, sem oferecer compensações à estatal.​

A proposta reduziria a quantidade de gás contratada de 42.667 para 27.200 m³/dia. A mudança diminuiria o faturamento da Gasmig em R$ 5 milhões, segundo parecer técnico que apontou diferença de R$ 211.844,62 entre os valores devidos.​

O gerente jurídico Lucas Pimenta de Figueiredo Brito e o gerente de Compliance Herbert Resende se opuseram à alteração e exigiram justificativa técnica que demonstrasse vantagens para a Gasmig.

Ambos relataram ter sofrido pressões diretas dos denunciados. Herbert Resende afirmou que “foi diretamente pressionado por Henrique Dourado e Valério Duarte para que aprovasse a alteração de cláusulas do contrato, sem respaldo técnico ou jurídico”.​

Após resistirem, os dois servidores passaram a receber ameaças anônimas. Lucas Pimenta relatou ter recebido mensagens por e-mail e WhatsApp que mencionavam seu filho menor, diabético, com referências a “ingerir alimento indevido na escola” ou “tomar dose errada de insulina”.​

Herbert Resende também foi alvo de ameaças contra ele e sua família, inclusive com tentativa de atentado à sua integridade física.​ Uma investigação interna foi contratada pela Gasmig a fim de apurar o caso.

O trabalho identificou vazamento de informações sigilosas da Gasmig que foram usadas pela empresa privada em suas solicitações. A sindicância constatou que as fontes públicas indicadas pela empresa não continham dados suficientes para suas conclusões, comprovando o uso de informações privilegiadas.​

Um gerente da empresa privada envolvida na investigação, que negociou diretamente as mudanças, fechou um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) com o Ministério Público e reconheceu sua participação nos fatos.​

O MPMG pede a condenação dos denunciados e solicita que Valério Francisco Duarte Sales perca a função pública. O Ministério Público também requer indenização por danos morais coletivos de R$ 1 milhão para a Gasmig, “como forma de penalizar a ofensa à moralidade e imagem reputacional da estatal”.​

O Fator procurou a Gasmig para comentar o caso. Em caso de resposta, este texto será atualizado.

Guilherme Jorgui é jornalista e tem especialização em comportamento eleitoral, opinião pública e marketing político (UFMG).

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