O engenheiro José Fernando Coura foi reconduzido, na tarde desta quinta-feira (16), ao conselho de administração da Petrobras, em assembleia geral de acionistas. Ele é um dos representantes indicados pela União no colegiado da estatal.
O conselho é responsável por decisões estratégicas de longo prazo, como planos de investimento e diretrizes de gestão. O governo federal tem a maioria dos 11 integrantes do grupo.
A manutenção do nome de Coura reflete a opção do acionista controlador por preservar parte da atual composição do colegiado. A nova formação do conselho reúne representantes do governo e de minoritários, em um ambiente de disputa sobre estratégias de exploração, transição energética e distribuição de dividendos.
Formação e trajetória
Nascido em Dom Silvério, na Zona da Mata mineira, José Fernando Coura construiu sua formação em instituições tradicionais ligadas ao setor mineral. Ele é engenheiro de minas formado pela Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto, na turma Centenário, e técnico metalúrgico pela Escola Técnica Federal de Ouro Preto.
Coura complementou a formação com cursos em planejamento estratégico, gestão industrial, tecnologia e economia mineral. Em 2014, frequentou o programa “Gestão Estratégica para Dirigentes Empresariais” do INSEAD, na França, voltado à alta administração. Essa base técnica foi aplicada ao longo da carreira na condução de projetos de mineração, estruturação de investimentos e gestão de operações industriais.
Ao longo da carreira, Coura acumulou cerca de dez anos de atuação na Amazônia, em operações nos estados do Pará e do Amapá, em projetos de mineração e indústria de transformação. Essa experiência consolidou a relação do engenheiro com a região, da qual se tornou cidadão honorário do Pará, do Espírito Santo e de várias cidades brasileiras, em reconhecimento à contribuição para o desenvolvimento local e para o setor mineral.
A carreira de Coura no setor privado se consolidou em grupos empresariais da mineração e da indústria de transformação. A partir da década de 1980, ele ocupou funções de comando no Grupo Caemi, em áreas como operação de mina, administração e direção de operações.
No grupo, exerceu a diretoria da área Norte, com responsabilidade sobre empresas como Caulim da Amazônia, Indústria e Comércio de Minérios, Companhia Ferro Ligas do Amapá e Mineração Santa Lucrécia. Em parte desse período, atuou também como diretor executivo da Caemi Mineração e Metalurgia, com envolvimento em decisões sobre expansão de capacidade, avaliação de projetos e relação com investidores.
A experiência se estendeu a outras empresas de mineração e cimento, em cargos de direção associados à operação industrial e à gestão de ativos minerais. Em conselhos de companhias privadas, Coura participou de discussões sobre viabilidade econômica de empreendimentos, portfólio de projetos e estratégias de mercado.
Paralelamente à atuação empresarial, Coura ocupou posições em entidades representativas da indústria mineral e em conselhos vinculados ao setor. Ele presidiu o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), associação que reúne grandes mineradoras em atividade no país, participando de negociações e debates sobre regulação, licenciamento e competitividade da mineração.
Coura também esteve à frente do Sindicato Nacional da Indústria de Extração do Ferro e Metais Básicos (Sinferbase), representando empresas produtoras de minério de ferro e outros metais básicos em interlocução com governo e órgãos reguladores. Em âmbito nacional, integrou o Conselho Temático de Mineração da Confederação Nacional da Indústria, com foco em temas como infraestrutura, logística e tributação ligada ao setor mineral.
No plano internacional, participou da organização e liderança de fóruns da cadeia mineral, como edições do World Mining Congress, que reúne governos, empresas e academia para discutir tendências do setor. Em missões técnicas, esteve em países como China, Austrália e Canadá, em agendas voltadas a intercâmbio tecnológico, análise de modelos de exploração e atração de investimentos para projetos brasileiros.
No setor público, Coura integrou a estrutura da Secretaria de Estado de Minas e Energia de Minas Gerais, em funções ligadas à política mineral e energética do estado. Ele participou de conselhos estaduais de ciência e tecnologia, recursos hídricos e meio ambiente e presidiu a Câmara de Atividades Minerárias do Conselho de Política Ambiental (Copam), em discussões sobre licenciamento, uso do solo e projetos minerais.
Ao longo da carreira, Coura foi agraciado com diversas honrarias, entre elas a Medalha da Inconfidência, concedida pelo governo de Minas Gerais, e condecorações como a Medalha do Mérito Legislativo, a Medalha Juscelino Kubitschek e a Medalha Santos Dumont, além de outros títulos de reconhecimento em estados e municípios. Essas distinções se somam aos títulos de cidadania honorária e refletem o acúmulo de atuação no setor mineral, na gestão pública e em entidades empresariais.
Essa trajetória antecedeu a entrada de Coura na governança da Petrobras. Em 2025, ele foi eleito conselheiro de administração da estatal em assembleia de acionistas, como nome indicado pela União, em um conselho que teve a maior parte de seus membros mantidos.