Sem Fundeb, governo diz que Tesouro vai custear ida de agentes da reserva para escolas cívico-militares

PL não apresenta estimativa de impacto e condiciona adesão de escolas a consultas públicas, com custos a serem definidos depois
O programa de escolas cívico-militares da rede estadual passou a ser alvo de contestação formal em 2025, quando o TCE-MG examinou sua conformidade legal e orçamentária. Foto: SEE/Divulgação

O projeto de lei enviado pelo governador Mateus Simões (PSD) à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nesta semana para instituir o programa de escolas cívico-militares não menciona explicitamente a fonte orçamentária destinada a custear a atuação de militares da reserva remunerada nas unidades da rede estadual.

A O Fator, o Executivo estadual informou que os gastos com a modelagem serão suportados por verbas do caixa único do Tesouro Estadual.

A reportagem também solicitou a estimativa de impacto financeiro do projeto. O cálculo, segundo o poder Executivo, só poderá ser feito a partir do número de escolas participantes da iniciativa. A entrada das instituições na engrenagem cívico-militar dependerá de sinal verde das comunidades, que vão se posicionar por meio de consultas públicas.

O texto da proposição de lei veda o uso de recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) para bancar os subsídios dos militares que atuarão nas escolas.

Embate anterior

Na avaliação de técnicos ouvidos reservadamente pela reportagem, a falta de detalhamento, no texto oficial do projeto, da fonte orçamentária, pode transferir para a fase de regulamentação ou execução um debate que, no entendimento do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), deveria estar resolvido na própria modelagem legal da política pública.

A despeito do projeto de Simões, a ampliação do modelo cívico-militar em Minas está suspensa por força de uma decisão do TCE-MG referendada pela Justiça. Ao deliberar pela paralisação, em dezembro do ano passado, o Pleno da Corte de Contas apontou ausência de lei formal instituindo o modelo cívico-militar e mencionou supostas irregularidades orçamentárias.

Fora do pedagógico

O texto também estabelece que os militares da reserva não serão considerados profissionais da educação básica, o que afasta a possibilidade de enquadramento funcional dentro da carreira educacional.

A proposta ainda não começou a tramitar na Assembleia.

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Tatiana Moraes é jornalista especialista em comunicação estratégica, com MBAs em Gestão de Negócios e Comunicação Eleitoral e Marketing Político. Foi repórter dos jornais Hoje em Dia e Diário do Comércio e atuou como diretora de Comunicação da AMM e assessora-chefe de Comunicação da Secretaria de Estado de Governo (Segov).

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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