Interlocutores da Executiva nacional do Podemos fizeram chegar ao presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), Juliano Lopes, que ele pode ter a pré-candidatura a deputado estadual cancelada ou até mesmo ser expulso do partido caso convoque a sessão extraordinária de plenário para votar a cassação de Lucas Ganem (MDB).
A informação foi revelada a O Fator por fontes que testemunharam conversas sobre o tema nessa quarta-feira (24). Ganem é primo do deputado federal Bruno Ganem (Podemos-SP), hoje considerado uma das principais lideranças da sigla a nível nacional. A representação interna no partido para a expulsão de Juliano, inclusive, partiria de dois integrantes da Família Ganem.
Em Belo Horizonte, ele responde a um processo de cassação que tem nesta quinta-feira (25) um de seus episódios decisivos: a votação do relatório na comissão processante que analisa o caso.
A expectativa na Casa é de que o colegiado aprove o texto, que pede a cassação do mandato de Ganem, e que Juliano Lopes, em sequência, paute uma sessão extraordinária para que o plenário vote a cassação na segunda-feira (29).
Serão necessários 28 votos favoráveis à cassação para que o vereador tenha seu mandato interrompido. Pelo que a reportagem apurou, existe na Câmara o entendimento de que há 32 parlamentares que concordam com a punição.
Além de perder o mandato, a cassação de Lucas Ganem o deixaria inelegível – o vereador também é pré-candidato a deputado estadual. Nos planos do grupo político-familiar Ganem, ele faria dobradinha com o ex-secretário nacional de Esportes do governo Lula (PT) Thiago Milhim, agora também chamado de “Thiago Ganem”, que está filiado ao PL.
Em abril, o Podemos mineiro, comandado pela deputada federal Nely Aquino, chegou a ser ameaçado de interferência pela Executiva nacional após o partido sinalizar que não aceitaria a filiação de Lucas e Thiago para disputar as eleições no Estado.
Lucas e Thiago são de São Paulo. A principal acusação contra o vereador é, inclusive, possível fraude no registro de domicilio eleitoral quando registrou sua candidatura – ele, na época, morava em São Paulo e se utilizou de um endereço de um aliado político para supostamente forjar o domicilio. Lucas Ganem foi condenado em primeira instância pela Justiça eleitoral, indiciado pela Polícia Federal e denunciado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) por isso. O pedido cassação também cita a existência de possíveis funcionários fantasmas em seu gabinete.
O caso foi revelado por reportagem de O Fator em outubro de 2024.