TCE rebate prefeito de Minas sob risco de impeachment e diz que inspeção em contratos não foi solicitada por ele

Corte reagiu após chefe do Executivo publicar nas redes sociais vídeo afirmando que pediu envio de equipe para verificar serviço
O prefeito de Governador Valadares e ex-deputado estadual, Coronel Sandro
O prefeito de Governador Valadares e ex-deputado estadual, Coronel Sandro. Foto: Guilherme Dardagnan/ALMG

O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) rebateu o prefeito de Governador Valadares (Vale do Rio Doce), Coronel Sandro (PL), e afirmou, em nota, que a inspeção extraordinária no serviço de transporte escolar do município não foi solicitada pelo chefe do Executivo, mas determinada por decisão cautelar do conselheiro em exercício Licurgo Mourão. A liminar de Mourão foi posteriormente confirmada pelo colegiado.

O episódio ocorre em meio ao avanço de um processo de impeachment contra Sandro na Câmara Municipal por causa de suspeitas relacionadas aos contratos de transporte dos alunos.

Em março, o TCE-MG chegou a determinar o bloqueio de bens do prefeito. Depois, a decisão acabou suspensa pelo Tribunal de Justiça (TJMG).

A manifestação da Corte de Contas foi divulgada após o prefeito afirmar, em vídeo publicado nas redes sociais nessa quinta-feira (16), que teria solicitado o envio de equipe do Tribunal para verificar a execução do serviço. Na gravação, ele sustenta que a iniciativa buscaria dar transparência à gestão.

“Recentemente, eu reforcei e pedi ao Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais que enviasse uma equipe de inspeção, que é uma equipe que faz uma verificação in loco sobre determinadas situações. Essa equipe, eu pedi para vir verificar o contrato do transporte escolar, o atual e o anterior”, diz Sandro no vídeo.

Na nota, o Tribunal afirma que não houve qualquer requerimento do prefeito ou de terceiros para a realização da inspeção e que a medida foi adotada de ofício, com base nos elementos já constantes no processo.

“O TCE-MG orienta que informações relativas aos seus processos e decisões sejam obtidas exclusivamente por meio de seus canais oficiais, evitando-se a disseminação de notícias inverídicas ou distorcidas que possam comprometer a compreensão adequada dos fatos”, pontuou.

A decisão cautelar foi proferida por Mourão em 24 de março e referendada pela Primeira Câmara em 7 de abril, que também determinou o encaminhamento do caso à Presidência para deliberação sobre a realização da inspeção, diante dos indícios apontados na análise preliminar.

Tentativa de recompor a base

Nos bastidores, o avanço do processo de impeachment tem sido acompanhado por uma tentativa do prefeito de recompor a base política na Câmara.

Conforme revelou O Fator, Coronel Sandro passou a sondar vereadores e lideranças locais com ofertas de indicações para cargos no Executivo, em um movimento para ampliar apoio e reduzir o risco de cassação.

A articulação incluiu aproximação com o ex-prefeito André Merlo (União Brasil), adversário político, e aconteceu após o rompimento com o empresário Alex Coelho Diniz, que integrava a base governista.

O empresário, que é suplente do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), foi um dos principais apoiadores de Sandro nas eleições de 2024.

A exoneração de três secretários ligados a Diniz da Prefeitura de Governador Valadares no fim de março, aliás, expôs o desgaste entre os dois.

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