Justiça Federal obriga INSS a retomar aposentadoria por invalidez de ex-deputado mineiro

Para juiz, a incapacidade para trabalhar não implica, necessariamente, em incapacidade para exercer mandato político
O ex-deputado federal Léo Motta de terno e gravata
O ex-deputado federal Léo Motta. Foto: Will Shutter/Câmara dos Deputados.

A Justiça Federal obrigou o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) a retomar os pagamentos da aposentadoria por invalidez do ex-deputado federal Léo Motta (PL-MG). Concedido em 2010, o benefício foi suspenso em junho de 2019, em decorrência do mandato dele em Brasília.

Na decisão do último dia 7, o juiz federal João Batista Ribeiro, da 2ª Vara Federal Cível de Belo Horizonte, acatou ação movida pelo ex-deputado ao decidir que a incapacidade para trabalhar não implica, necessariamente, em incapacidade para exercer mandato político.

“A aposentadoria por invalidez possui natureza previdenciária e decorre da incapacidade para o exercício de atividade laborativa que garanta a subsistência do segurado. […] Por outro lado, o exercício de mandato eletivo, como o de vereador e deputado federal, não se confunde com atividade laborativa típica, tratando-se de função pública de natureza política”, escreveu o juiz. 

O magistrado justificou sua decisão jurisprudência, que “tem admitido que a cumulação de aposentadoria por invalidez com subsídio decorrente de mandato eletivo é possível”.

Ainda na decisão, a Justiça Federal obrigou o INSS a restabelecer o benefício da aposentadoria por invalidez com urgência, em até 15 dias — o prazo vence no próximo dia 22. 

Ex-vereador de Contagem, na região metropolitana de BH, Léo Motta foi eleito em 2018 com 51 mil votos, pelo extinto PSL — o partido se fundiu com o DEM para criar o União Brasil. Em 2022, tentou a reeleição pelo Republicanos, mas não obteve sucesso com os 37 mil votos conquistados.

Repórter de bastidores e orientado por dados de O Fator em Belo Horizonte, onde cobre política e mercado. Também é professor da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas, onde leciona disciplina ligada ao jornalismo de dados. Trabalhou por sete anos no jornal Estado de Minas, onde foi repórter e coordenador de jornalismo de dados. Também trabalhou no caderno de política do jornal O TEMPO por dois anos. É master em Jornalismo de Dados, Automação e Data Storytelling pelo Insper.

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