Propag: relator na Câmara dá parecer favorável a projeto para renegociar dívidas estaduais com a União

Texto, que pode amortizar dívida bilionária de Minas Gerais com o governo federal, chegou à Câmara em agosto
O plenário da Câmara dos Deputados
Doutor Luizinho é o relator de projeto para renegociar dívidas estaduais. Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Escolhido na semana passada como relator do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), o deputado federal Doutor Luizinho (PP-RJ) apresentou um parecer favorável à proposta, que tramita na Câmara dos Deputados na forma de projeto de lei complementar (PLP). O texto tem a federalização de ativos estaduais como pilar para o refinanciamento de dívidas contraídas por governos dos estados junto à União.

O Propag, de autoria do presidente do Congresso Nacional, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), foi aprovado pela Câmara Alta do Legislativo em agosto. Agora, precisa do aval da Câmara dos Deputados. O programa oferece prazo de 30 anos — 360 parcelas mensais — para a quitação das dívidas locais.

Atualmente, os juros dos passivos dos governos locais são calculados por uma fórmula que considera o Índice de Preços Amplo ao Consumidor (IPCA) + 4%. Sob as bases do Propag, os juros podem ser zerados a depender do volume de ativos federalizados. Receitas de recursos naturais, como petróleo e gás, a cessão de bens como imóveis e o repasse de créditos de dívida ativa também poderão ser utilizados para amortizar os saldos negativos.

“Em nosso entendimento a proposta apresentada promove a revisão dos termos das dívidas dos Estados e do Distrito Federal, criando condições que viabilizem a recuperação fiscal dos entes, ao mesmo tempo em que permite o incremento de investimentos em áreas sensíveis, como educação, segurança pública e infraestrutura”, lê-se em trecho do parecer de Luizinho.

Ainda conforme o deputado, a proposta “também é benéfica para a União”.

“Isso porque, ao viabilizar negociações vantajosas para ambas as partes, dívidas que hoje estão suspensas voltarão a ser adimplidas. O Propag, portanto, é uma solução que permitirá que os Estados solucionem de forma definitiva o problema do endividamento, e que a União volte a receber os pagamentos das dívidas”, afirma.

Expectativa para Minas Gerais 

O Rio de Janeiro, estado de Luizinho é, assim como Minas Gerais, uma das unidades federativas mais interessadas no avanço do Propag. No caso mineiro, o débito com a União já chegou a estar na casa dos R$ 165 bilhões. Embora o Executivo estadual tenha aderido ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF), há o compromisso público da equipe do governador Romeu Zema (Novo) de migrar para o pacote apresentado por Pacheco assim que o texto estiver em vigor.

Como já mostrou O Fator, antes de Luizinho ser designado relator, parlamentares de Minas, como o líder do governo Zema na Câmara, Zé Silva (Solidariedade), se colocaram à disposição para exercer a função. A escolha de um deputado do Rio, entretanto, foi bem vista por interlocutores mineiros, que acreditam que o empenho do governador fluminense Cláudio Castro (PL) pela aprovação da proposta pode ajudar a acelerar a tramitação.

As bases do Propag

Para quitar as dívidas, os estados poderão utilizar diferentes instrumentos como:

  • Transferência de participações societárias;
  • Cessão de bens móveis e imóveis;
  • Créditos da dívida ativa;
  • Receitas de recursos naturais (como petróleo e gás).

Como contrapartida, os entes federativos deverão:

  • Estabelecer limites para o crescimento das despesas primárias;
  • Investir ao menos 60% dos recursos economizados em educação profissional e técnica;
  • Não contratar novas operações de crédito para pagar as parcelas refinanciadas.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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