Sob risco de sanções do Propag, governo de Minas aciona o STF após entraves em sistema

O ministro Gilmar Mendes deu cinco dias para que a União apresente informações preliminares sobre o requerimento do estado.
Vista aérea da Cidade Administrativa de Minas Gerais
Governo corre contra o tempo para prestar contas sob pena de sanções no âmbito do Propag. Foto: Gil Leonardi/Imprensa MG.

O governo de Minas Gerais entrou com pedido de tutela de urgência para ter acesso a um sistema do Ministério da Educação (MEC), sob risco de sofrer sanções no âmbito do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Em decisão dessa terça-feira (28), o ministro Gilmar Mendes deu prazo de cinco dias para que a administração federal forneça informações sobre o requerimento. 

Minas alega “restrições técnicas” para ter acesso ao Sistema Nacional de Informações da Educação Profissional e Tecnológica (Sistec). O objetivo do estado é cadastrar 250 mil matrículas da educação profissional técnica de nível médio, uma das exigências do governo federal para adesão ao Propag. 

Segundo o Tesouro Nacional, o prazo para que o governo registre as informações vai até esta quinta-feira (30). Trata-se da prestação de contas semestral devida pelos beneficiados pelo Propag.

O estado defende, no requerimento feito ao STF, que a atuação da União viola as normas que regem o Propag, especialmente porque a legislação autoriza a comprovação do cumprimento das metas “a qualquer tempo”. 

O governo de Minas argumenta, ainda, que “a restrição ao acesso ao sistema afronta o princípio do federalismo de cooperação e o dever de boa-fé interfederativa, pois impede o estado de cumprir obrigações que dependem de infraestrutura fornecida pela própria União”.

Caso o estado não consiga comprovar as metas previstas na revisão do seu plano de educação, pode receber sanções contratuais previstas no Propag. O requerimento feito ao STF, no entanto, não explica quais sanções são essas.

Na prática, Gilmar Mendes ainda não concedeu a tutela de urgência ao governo de Minas, mas intimou a União para que se posicione antes da análise do mérito. 

Além da urgência, a administração estadual solicita a produção de provas e condenação do governo federal para disponibilização integral do sistema ou de outro meio para comprovação documental.

Repórter de bastidores e orientado por dados de O Fator em Belo Horizonte, onde cobre política e mercado. Também é professor da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas, onde leciona disciplina ligada ao jornalismo de dados. Trabalhou por sete anos no jornal Estado de Minas, onde foi repórter e coordenador de jornalismo de dados. Também trabalhou no caderno de política do jornal O TEMPO por dois anos. É master em Jornalismo de Dados, Automação e Data Storytelling pelo Insper.

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