Eleições 2026: acordem-me quando novembro chegar

Tudo o mais constante, noves fora, nada, chegaremos ao fim de outubro, como eleitores, ainda mais cansados e desesperançados
Pessoas votando
Eleições para a Assembleia Legislativa, Congresso Nacional e Executivos estadual e federal serão realizadas em outubro de 2026. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O bom do início de toda campanha eleitoral é que o fim da própria campanha eleitoral está mais perto, ainda que, daqui a pouco mais de um ano, comece tudo outra vez com as eleições municipais.

Em Minas, temos um cenário inédito, raras vezes visto até mesmo em outros estados. Tenho dito, com enormes dissabor e vergonha, que nos rebaixamos – obviamente por outros motivos – à miséria política fluminense.

Os senadores Rodrigo Pacheco e, depois, Cleitinho Azevedo transformaram uma novela costumeiramente de gosto duvidoso em um dramalhão mexicano interminável e pra lá de abaixo da crítica.

O que encontrarão

Lula e sua decadência, e Flávio Bolsonaro, herdeiro legítimo do que surgiu de pior na política brasuca desde a redemocratização, mesmo com Collor e Dilma pelo caminho, complementam nacionalmente a desolação local.

Um dos estados mais complexos do Brasil, Minas Gerais e seus mais de 850 municípios esperam encontrar, a partir de 1º de janeiro de 2027, alguma resposta para os inúmeros problemas que assolam seus mais de 20 milhões de habitantes.

Da dívida de quase R$ 200 bilhões a uma das piores malhas rodoviárias do país, urge a necessidade de conciliar agendas dispersas em meio ao proselitismo político de quinta categoria e à absoluta incapacidade de alguns dos principais candidatos.

Escolhas e consequências

Ouvir, por exemplo, o animador de auditório, porque político não é, Cleitinho Azevedo prometer acabar com o IPVA e “Cobrar de quem não paga imposto” (segundo ele, a mineração), dói nas profundezas d’alma saudosa de um JK.

Olhar para a esquerda e encontrar um sujeito do quilate de Alexandre Kalil, incapaz de gerir a própria empresa e pagar as próprias dívidas, prometendo equacionar os problemas fiscais e estruturais do estado, idem.

Ao seu lado, ideologicamente falando, um senhor honrado e com passado abonador, mas visivelmente sem energia para, em caso de sucesso – refiro-me obviamente a Patrus Ananias – impedir que o PT nacional desembarque no Tiradentes, como desembarcou, há décadas, na Afonso Pena, 1212, e de lá até hoje não saiu.

Museu de grandes novidades

Nunca escondi minha amizade e admiração por Mateus Simões e Gabriel Azevedo desde que os conheci, no início de suas vereanças. Aliás, devo ter um bom faro para político decente. A despeito de suas personalidades e erros perdoáveis – e quem não os tem? – são jovens preparados, íntegros e ilhas de excelência e exceção em meio à baixaria generalizada.

Por fora, pela inexperiência política e pela estreia eleitoral, mas amparado por um partido e por nomes de peso, como Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira, corre Flávio Roscoe, presidente licenciado da Fiemg. Igualmente íntegro e preparado, peca, a meu ver, pelo isolamento que o excesso ideológico sempre traz.

Tudo o mais constante, noves fora, nada, chegaremos a outubro, como eleitores, ainda mais cansados e desesperançados. Se não pela baixaria que tende a marcar esta campanha, pela absoluta certeza de que nada, ou muito pouco, mudará.

Favor me acordar quando setembro – ops, outubro – acabar.

Ricardo Kertzman é empresário, e há 8 anos milita no jornalismo profissional. Tem passagens pelo jornal Estado de Minas e Portal UAI, com a coluna Opinião Sem Medo; pela revista e site da IstoÉ; pela Rede 98 e a Rádio Itatiaia, como comentarista do Conversa de Redação. Escreve para a revista Encontro e o portal O Antagonista.

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