O municipalismo na mesa de transição do governo de Minas Gerais

cleitinho e falcão
Foto: Redes Sociais

Recebi, com grande honra e senso de responsabilidade, o convite para integrar a equipe de transição do governo de Minas Gerais. Na condição de presidente da AMM, representarei institucionalmente os 853 municípios mineiros em um momento decisivo: a passagem de bastão entre a atual gestão estadual e o governo que o senador Cleitinho Azevedo comandará a partir de janeiro.

O gesto do governador eleito tem um significado que vai além da cortesia política. Ao definir que a comissão de transição será coordenada pelo vice-governador eleito Luís Eduardo Falcão — ex-prefeito de Patos de Minas e também ex-presidente da AMM —, e ao abrir espaço para que a entidade leve ao processo as demandas das administrações municipais, a futura gestão sinaliza que compreende uma verdade simples: não há Minas forte sem municípios fortes.

Essa porta não se abriu por acaso. Ao longo de toda a campanha, a AMM trabalhou para que o destino de Minas fosse debatido com os pés no chão das cidades. Em maio, reunimos milhares de gestores no 41º Congresso Mineiro de Municípios, em Belo Horizonte, com fórum dedicado às eleições. Em setembro, lançamos uma carta aberta a todos os candidatos ao Governo do Estado, alertando que as renúncias fiscais de ICMS e IPVA custaram aos cofres municipais cerca de R$ 28,6 bilhões entre 2020 e 2026 — recursos que faltaram para saúde, educação e infraestrutura.

A resposta veio: candidatos de diferentes campos, como Gabriel Azevedo, Cleitinho Azevedo e Patrus Ananias, reconheceram a pauta municipalista, e o próprio governo estadual apresentou à Assembleia projetos de lei sobre o tema. O diálogo funcionou — e provou que, quando os municípios se organizam, ninguém pode governar de costas para eles.

Os municípios estão na linha de frente do atendimento à população. São as prefeituras que executam a saúde básica, mantêm escolas, cuidam do saneamento, da assistência social e do dia a dia das pessoas. Conhecemos, na prática, os desafios de cada região. Por isso, nossa participação na transição permitirá contribuir com informações e com o diagnóstico da situação do Estado, ajudando a construir soluções conjuntas para os problemas que afetam diretamente as cidades.

A equipe técnica da AMM, junto com toda a diretoria, já formata a pauta municipalista que subsidiará as políticas públicas do novo governo. Nosso compromisso é com uma atuação técnica, apartidária e voltada à cooperação entre os entes federativos, independentemente de diferenças regionais ou partidárias.

A transição também mira a delicada situação fiscal do Estado — tema que afeta diretamente os repasses e a capacidade de investimento dos municípios. Estar presentes nessa conversa desde o início é garantir que a voz das cidades ajude a desenhar as medidas dos primeiros meses de gestão.

Quero que essa participação consolide um canal de diálogo permanente entre o governo de Minas e os municípios, com uma divisão mais equilibrada das responsabilidades federativas. Este convite é um reconhecimento do municipalismo mineiro e uma oportunidade histórica. A AMM honrará esse espaço com seriedade, para que as decisões estaduais considerem os impactos nas cidades e resultem em uma gestão pública mais eficiente, equilibrada e próxima de quem mais precisa.

O prefeito de Iguatama, Lucas Vieira Lopes, é o atual presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM). Advogado formado pela Universidade de Itaúna, iniciou sua trajetória política com foco no fortalecimento do municipalismo. Eleito prefeito em 2020 e reeleito em 2024 com ampla votação, destaca-se por uma gestão voltada ao desenvolvimento social e investimentos em áreas essenciais. Com atuação crescente no cenário estadual, já ocupou a diretoria regional Centro-Oeste da AMM e a vice-presidência da entidade, consolidando-se como uma liderança comprometida com o diálogo, a escuta dos municípios e a defesa das pautas municipalistas em Minas Gerais.

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