O reajuste de 9,42% nos salários dos vereadores de Contagem, aprovado no último dia 27 de maio — o segundo em menos de seis meses — não passou sem ruído. A vereadora Adriana Souza (PT), embora ausente da sessão que deu aval ao aumento, manifestou-se contrária à medida e anunciou que doará integralmente o valor líquido do reajuste, R$ 1.393,82 mensais, para instituições ou movimentos sociais da cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).
As entidades beneficiárias da doação serão escolhidas em consulta aberta com a população pelas redes sociais.
No dia da sessão, Adriana cumpria agendas em Brasília (DF). Segundo ela, sua desaprovação ao aumento já havia sido comunicada previamente aos líderes da Câmara Municipal.
Além dela, outros dois vereadores também estiveram ausentes da sessão: Tia Keyla (PL) e Denílson da JUC (Mobiliza).
O projeto, aprovado com maioria absoluta dos votos, repetiu a mesma manobra usada para viabilizar o aumento salarial em dezembro do ano passado, quando a Câmara autorizou uma ampliação de 44% na remuneração dos parlamentares: uma emenda de liderança incluída em um projeto que tratava da recomposição salarial dos servidores da Câmara.
Para que esse tipo de emenda seja admitido, é necessário o aval de pelo menos 13 dos 25 vereadores.
Parlamentares favoráveis ao reajuste afirmaram que o aumento tem respaldo legal, está dentro do teto previsto pela Constituição e corrige perdas inflacionárias. O subsídio mensal dos vereadores de Contagem, após o reajuste, se aproxima dos R$ 20,8 mil.
Adriana, no entanto, contesta a legitimidade política da medida:
“Enquanto parlamentares reajustam seus próprios salários em busca do teto, categorias como enfermagem e educação seguem lutando por um piso”, afirmou.
Professora da rede pública, a petista citou o valor do piso salarial nacional da educação — R$ 4.867,77 — como símbolo da disparidade.
