Cruzeiro x Atlético: patrimônio histórico, cultural e imaterial de Minas Gerais

Foto de jogadores de Atlético e Cruzeiro
Reconhecer Cruzeiro e Atlético como patrimônio é reconhecer parte da alma mineira. Foto: Pedro Souza/Atlético

Quis o destino que Cruzeiro e Atlético se enfrentassem em mais um jogo de mata-mata decisivo: as quartas de final da atual edição da Copa do Brasil. Nesta quarta-feira, 26 de agosto, e em 11 de setembro, os rivais mineiros disputarão, pela terceira vez na história, um confronto eliminatório da competição. Cada time soma um triunfo diante do adversário. Todas as atenções, nas conversas informais em Minas Gerais nesta e nas próximas duas semanas, estarão voltadas para esses jogos.

O clássico mineiro vai muito além do campo. Assim como a culinária mineira, o queijo artesanal e as folias de reis, o clássico mineiro também deveria ser reconhecido como patrimônio cultural imaterial do Estado de Minas Gerais, dada a relevância de ambos os clubes para a construção da identidade do povo mineiro. Não é exagero: futebol é tradição, memória e pertencimento para milhões de mineiros.

O patrimônio cultural mineiro compreende bens de natureza material e imaterial, individualmente ou em conjunto, que remetam à identidade, à ação e à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade mineira, conforme a definição presente na Lei Estadual nº 11.726/1994, que dispõe sobre a política cultural do Estado. Patrimônio cultural, portanto, abarca todos os bens com valor histórico, artístico, estético, afetivo e simbólico, entre outros, que podem receber proteção do poder público.

Ora, nos séculos XX e XXI, o futebol se consolidou como evento lúdico e celebração coletiva que integra a identidade brasileira, molda as paixões de milhões de cidadãos e constitui um importante soft power global do país. Esse debate democrático sobre o valor cultural das instituições esportivas, inclusive, está em plena efervescência. Recentemente, por exemplo, o Flamengo foi declarado patrimônio histórico, cultural e imaterial do Estado do Rio de Janeiro, com a aprovação da Lei nº 10.888/2025 pela Assembleia Legislativa fluminense, sancionada pelo atual governador.

De forma semelhante, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais discute o reconhecimento de relevante interesse cultural para o Estado tanto do Cruzeiro Esporte Clube (PL 4.115/2025) quanto do Clube Atlético Mineiro (PL 4.116/2025). O título visa promover, difundir e valorizar bens, expressões e manifestações culturais dos diferentes grupos que compõem a sociedade mineira.

É inegável o valor de Cruzeiro e Atlético para a formação das identidades e do sentimento de pertencimento do cidadão mineiro — algo que se acentua ainda mais em jogos decisivos. Pais e mães sonham que os filhos deem continuidade à tradição familiar. Amigos passam horas discutindo glórias e grandezas de seus clubes. A ocasião do jogo é um momento de confraternização. O clássico, inclusive, serve como quebra-gelo para criar conexões com desconhecidos. É um espaço de encontro, festa e cultura popular — ainda que, infelizmente, a rivalidade às vezes transborde em violência.

Dentro de campo, trata-se de um duelo de gigantes: juntos, os clubes somam 8 Copas do Brasil, 7 Brasileiros e 3 Libertadores. Dos quatro confrontos entre os oito clubes que restam na competição, este é o que reúne o maior número de títulos. A força de Minas se faz presente no mapa esportivo nacional através de Cruzeiro e Atlético.

Reconhecer Cruzeiro e Atlético como patrimônio é reconhecer parte da alma mineira. E, claro, que vença o melhor nessas quartas de final — embora, convenhamos, o momento favoreça o Cruzeiro, atual terceiro colocado do Brasileirão.

Lucas Azevedo Paulino

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