Uma das principais preocupações de Jair Bolsonaro (PL), condenado na última semana pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), é a perda de fôlego da pressão no Congresso Nacional para votar o projeto da lei da anistia.
Segundo aliados, o ex-presidente demonstrou incômodo com a incerteza de que sua base conseguirá manter a mobilização necessária para aprovar a proposta, especialmente diante do risco de debandada de partidos do centrão. “Quem não faz barulho, é esquecido”, resume uma fonte.
Um dos pontos de alerta foi o encontro que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos – PB), teve nesta segunda-feira (15) com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O petista tenta travar as negociações do PL.
Tentando tomar à frente da situação, a defesa do ex-presidente apresentou ao STF um pedido para que ele receba a visita do deputado Rodrigo Valadares (União Brasil-SE), nome defendido pelo PL para assumir a relatoria do projeto da anistia.
Até o momento, Motta avalia nomes para conduzir a tramitação do texto, como o do mineiro Lafayette de Andrada (Republicanos-MG). Mas o presidente da Câmara tem se mostrado vacilante sobre a decisão de pautar ou não a matéria.
Bolsonaristas defendem que a proposta seja ampla, não apenas para incluir Bolsonaro na anistia, mas também para abrir brecha e até reverter sua inelegibilidade, fixada até 2030 em duas decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A proposta segue na gaveta de Motta, sem que o pedido de urgência tenha sido apreciado em plenário. Caso avance, será encaminhada ao Senado, onde o presidente Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) articula uma versão considerada mais “light”.
Depois disso, dependerá da sanção do presidente. Em caso de veto, caberá ao Congresso Nacional decidir se o mantém ou se o derruba, o que aumenta a pressão sobre a base bolsonarista para acelerar os movimentos no Legislativo.
De olho em Valdemar
Bolsonaro acompanhou com preocupação as declarações do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que comentou publicamente a decisão do Supremo que levou à condenação do ex-presidente.
Durante agenda em Itu (SP), o dirigente partidário afirmou que houve um planejamento de golpe de Estado que não se concretizou. Criticou o que chamou de exageros na decisão do STF, mas ponderou: “O Supremo decidiu, nós temos que respeitar”.
A fala foi dada durante evento com governadores que estão de olho no Palácio do Planalto, como o mineiro Romeu Zema (Novo). Após a reação bolsonarista durante o final de semana, Valdemar tentou apaziguar o desconforto.
O receio do grupo do ex-presidente – leia-se: família Bolsonaro – é justamente que Valdemar se concentre em questões relativas às eleições de 2026 no momento em que o ex-presidente precisa demonstrar força política e popular.
Em prisão domiciliar desde 4 de agosto, o ex-presidente foi condenado, na última semana, a 27 anos e três meses de prisão pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) por golpe de Estado. Agora, a defesa vai recorrer da decisão.