Feam: a velha hipocrisia da esquerda que tanto alimenta os radicais

Coerência, mais que uma virtude, é imperiosa nas relações intelectualmente honestas e profícuas
Militante com bandeira do PT
Foto: Lula Marques/Agência PT

Que fique ainda mais claro do que sempre deixei: conservadorismo, liberalismo e “direita” jamais foram, são ou serão confundidos com fanatismo, ignorância, reacionarismo e alopragem, características – eu diria condições tácitas – do bolsonarismo. E atenção: se você, leitor querido, leitora querida votaram em Jair Bolsonaro e não se identificam com as “virtudes” acima, não se sintam ofendidos. 

Pois bem. Dois episódios, ontem, me chamaram especialmente a atenção. A reação, ou melhor, a não reação da esquerda em geral com as execuções públicas que os terroristas do Hamas estão promovendo nas ruas de Gaza, após o cessar-fogo e recuo das tropas israelenses. 

As cenas divulgadas na imprensa mundial são simplesmente pavorosas e lembram os terríveis vídeos de fuzilamentos e decapitações promovidos e publicados pelos bárbaros do ISIS, anos atrás. Os terroristas do Hamas, tratados como heróis da resistência palestina pela esquerda global, mas como mero pretexto para atacar Israel e exercitar o costumeiro antissemitismo, arrastam civis para as ruas, os fazem ajoelhar em súplica e disparam cruelmente em suas nucas, sob a alegação de serem traidores.

Duplo padrão moral

Na terça-feira, 14, a deputada do PSOL, Bella Gonçalves, por quem pessoalmente tenho muito respeito, independentemente das inúmeras discordâncias ideológicas, publicou em suas redes sociais: “Não há cessar-fogo sem a Palestina livre. Estamos assistindo a um frágil acordo que, sim, pode parar o genocidio e toda a atrocidade, mas não há garantias. Hoje mesmo, cinco palestinos foram mortos durante o cessar-fogo. Israel já matou dezenas de milhares de crianças, idosos e mulheres inocentes, destruiu hospitais, escolas e universidades.”

Pois a mesma deputada, assim como seus pares brasileiros, incluindo o próprio presidente Lula, sempre tão ligeiro e impreciso nos comentáriosnão raro mentirosos – contra Israel, não deu um único pio sobre as execuções acima, o que me faz perguntar: Vocês, da esquerda, se preocupam mesmo com os palestinos ou a “preocupação” é apenas com Israel? Ou melhor, contra Israel? Trata-se de uma pergunta meramente retórica, é claro, pois conheço bem a resposta.

O mesmo comportamento se repete quando os assuntos são a invasão da Ucrânia pelo “amigão” carniceiro Vladimir Putin e a tirania de Nicolás Maduro na Venezuela, e será sempre assim – como a história não se cansa de mostrar – com ditadores e ditaduras amigas pelo mundo. Infelizmente, esse moralismo e humanismo seletivos servem como combustível para o radicalismo do extremo oposto, costumeiramente, aliás, tão hipócrita quanto, haja vista as rachadinhas e tantas outras mazelas da família Bolsonaro jamais criticadas pelos fiéis. 

Raposa no galinheiro

O outro assunto que me chamou a atenção foi a nomeação do novo presidente da Feam, Edson Resende, conforme matéria publicada em O Fator. Promotor de Justiça durante 32 anos em Minas, com sólida formação jurídica em áreas como direitos difusos, cidadania, meio ambiente e patrimônio público, participou de importantes iniciativas voltadas à defesa do interesse coletivo e à promoção de políticas públicas sustentáveis. Ou seja, um profissional altamente preparado para a função, sobretudo em meio a todos os fatos gravíssimos trazidos pela Operação Rejeito saiba tudo, tintim por tintim, aqui.

Contudo, a esquerda mineira não gostou. Disse tratar-se de uma “Raposa tomando conta do galinheiro”. Por quê? Bem, porque Edson já atuou como advogado – após deixar o Ministério Público – em dois ou três casos envolvendo mineradoras, como se a atividade extrativista não fosse um dos maiores e mais importantes segmentos econômicos do Brasil, e como se não fosse constituído por empresas gigantes e mundialmente renomadas, mas apenas por uma eventual meia-dúzia de mineradores ilegais, insignificantes em termos de extração e faturamento.

Além de ser uma posição extremamente preconceituosa, que ataca frontalmente o exercício da advocacia, atividade que essa mesma esquerda faz uso como ninguém, seja para lhe defender dos mensalões e petrolões da vida, ou mesmo para judicializar absolutamente tudo com o que não concorda, coloca sob suspeição indevida um profissional justamente por ser… profissional. É o tradicional assassinato de reputações que essa turma sabe fazer tão bem.

Coerência não mata

Nós sabemos como funcionam as escolhas das administrações de esquerda para cargos públicos na maioria dos casos. Os Correios, por exemplo, hoje mais quebrados do que meu humor após um jogo do Galo. O “churrasqueiro do Lula”, ex-presidente da companhia – Fabiano Silva -, produziu, em sua gestão, um prejuízo de R$ 7.5 bilhões. Algum comentário da bancada petista? Não, né? Mas isso é apenas uma outra pergunta retórica. 

Duda Salabert, deputada federal pelo PDT, de Carlos Lupi e Alexandre Kalil – dois super queridos pelos velhinhos do INSS e por ex-funcionários, respectivamente, – contratou para sua campanha à Prefeitura de Belo Horizonte, com recursos públicos legais, um ex-assessor de gabinete, mas marqueteiro político de primeira qualidade. Pessoalmente, não vejo, como não vi, problema algum, já que o rapaz se desincompatibilizou do cargo público e foi regularmente contratado.

No Supremo Tribunal Federal (STF) estão dois ex-advogados de Lula e do PT, respectivamente, Cristiano Zanin e Dias Toffoli. Anteriormente, um amigo da família da esposa falecida de Lula, Marisa Letícia, meu xará Levandowski. Seriam raposas cuidando do galinheiro, senhores deputados mineiros de esquerda?

Eis o comportamento cínico, hipócrita e nocivo da esquerda, que tão mal faz ao país e tão bem faz ao radicalismo bolsonarista. Coerência, mais que uma virtude, é imperiosa nas relações intelectualmente honestas e profícuas. Do contrário, têm-se apenas selvageria e retrocesso.

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