Pacheco diz que decisão sobre disputar o governo de Minas será tomada nos próximos dias

Senador disse que chegou a pensar em abandonar a política, mas que momento é de definir os próximos passos sobre MG
Rodrigo Pacheco ainda é cotado para uma vaga no STF, mas é o nome preferido de Lula para disputar o governo de Minas. Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

O senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) afirmou, nesta quinta-feira (23). que vai definir nos próximos dias se será candidato governo de Minas Gerais em 2026. A declaração ocorre enquanto o parlamentar ainda disputa a indicação para o Supremo Tribunal Federal (STF), embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenha sinalizado nos bastidores a escolha do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta com a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso.

“Essa discussão da eleição ao governo de Minas, eu considero que é um momento decisivo e importante para que se tenha uma decisão mesmo, uma deliberação a respeito disso”, declarou Pacheco.

Pacheco revelou que, ao encerrar o período na presidência do Senado, no início do ano tinha forte tendência de fechar o ciclo na vida pública, mas adiou a decisão ao longo do ano. Lula quer o parlamentar como concorrente ao governo estadual por uma frente de partidos do centro à esquerda.

“Em conversas com várias pessoas nós ao longo do ano adiamos um pouco decisão pra podermos até discutir as questões de Minas, as alternativas que nós temos”, disse.

Como mostrou O Fator, o senador recusou o convite de Lula para integrar a comitiva presidencial em viagem à Ásia nessa semana. O petista embarcou na terça-feira (21) para compromissos na Indonésia e na Malásia, onde participa da cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), com retorno previsto para terça-feira (28).

A decisão de Pacheco de não acompanhar o presidente teve como objetivo deixar Lula confortável após o nome de Messias ser dado como certo para a vaga no Supremo. A escolha teria sido comunicada ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), durante jantar no Palácio da Alvorada na segunda-feira (20). O parlamentar declinou do convite para evitar que a viagem fosse interpretada como tentativa de pressionar o petista pela indicação ao STF. Pacheco também alegou compromissos pessoais.

Interlocutores avaliam que, por se tratar de agenda internacional extensa, o presidente poderia aproveitar a viagem para tentar convencer o senador a disputar o governo de Minas, e que dar espaço pode ajudar a mudar o cenário. Pacheco tem sinalizado a pessoas próximas que, enquanto Messias não for de fato anunciado, nenhuma possibilidade está fechada e quer manter-se na disputa.

Retomada do protagonismo de Minas

Pacheco defendeu que Minas Gerais precisa retomar o protagonismo nacional e criticou a situação do estado. “É muito importante para esse processo eleitoral de 2026 que haja opções em um campo democrático que pretenda a evolução de Minas, a reorganização do estado porque, de fato, da forma como está, não está bom. É preciso melhorar e Minas retomar o papel de protagonismo nacional”, opinou.

O senador acrescentou que o estado precisa realizar obras e feitos para recuperar a relevância no cenário nacional. Segundo ele, o “campo democrático” deverá se reorganizar e apresentar nomes para o governo, para o Senado e chapas de deputados federais.

O senador destacou que temas relacionados a Minas Gerais estiveram presentes na pauta do Senado durante sua gestão à frente da Casa. Entre as iniciativas, mencionou o Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag), projeto de lei de sua autoria aprovado no Congresso Nacional que busca resolver a dívida bilionária do estado com o governo federal.

“Eu considero que contribui muito com o Projeto de Lei, de minha autoria, que eu fiz aprovar, junto com meus pares senadores, no Senado e na Câmara dos Deputados, que é o Propag, que busca resolver o problema da dívida de Minas. Os temas de Minas estiveram sempre presentes aqui entre nós”, declarou.

Vaga no STF

Sobre a disputa pela vaga no Supremo, Pacheco adotou postura de respeito à prerrogativa presidencial e evitou comentar especulações. “É importante respeitar o momento e a decisão do presidente da República. E a decisão que for tomada por ele será, evidentemente, por mim e por todos respeitada como uma decisão de um presidente da República. E caberá ao Senado fazer a avaliação”, destacou.

O senador afirmou que há prerrogativa do presidente para a indicação e papel do Senado na avaliação, e que todas as etapas devem ser cumpridas com espírito público e republicanismo. “Não há que se precipitar nenhuma especulação em relação a isso”, declarou.

Lula pretende se reunir com Pacheco após o retorno da viagem à Ásia, antes de anunciar oficialmente o nome de Jorge Messias para a vaga na Corte. A conversa teria dois objetivos: explicar pessoalmente a escolha de Messias e convencer Pacheco a disputar o governo de Minas em 2026.

A decisão pelo advogado-geral da União está ligada ao fato de Messias já ter sido preterido em duas oportunidades anteriores para o Supremo, quando o petista indicou Flávio Dino e Cristiano Zanin. Lula quer demonstrar que a indicação atende a critérios pessoais.

Articulação de Alcolumbre

Pacheco ressaltou o apoio recebido de Davi Alcolumbre, que tem sido o principal articulador em favor do senador para a vaga no STF e atua para tentar manter o nome dele no radar do Planalto. “Nos quatro anos em que estive na Presidência do Senado, eu pude contar com o apoio irrestrito dele”, salientou.

O senador afirmou que conversa com Alcolumbre quase todos os dias sobre todos os assuntos e que a relação é próxima. “Presidente Davi é uma pessoa que faz parte da minha vida política de maneira muito relevante, muito importante”, disse.

Pacheco recordou que, durante sua gestão à frente do Senado, Alcolumbre era presidente da Comissão de Constituição e Justiça e que mantiveram relação efetiva em favor dos temas nacionais. “Nos últimos anos nós conseguimos aprovar se não todas a maioria das pautas relevantes que o governo nos encaminhou sempre com muita dedicação”, afirmou.

Cenário eleitoral em Minas

O cenário eleitoral em Minas se complica com a filiação do vice-governador Mateus Simões ao PSD, marcada para domingo (27). A entrada de Simões no partido é para que ele dispute a sucessão de Romeu Zema (Novo) e contará com o apoio da máquina estadual.

Se decidir entrar na corrida eleitoral, Pacheco provavelmente terá de buscar outro partido, já que o PSD acelerou a filiação do vice-governador. Entre as siglas interessadas em atrair o senador estão PSB e MDB.

Aliados do ex-presidente do Senado afirmam que uma confirmação de Messias para o STF tende a desestimular Pacheco a concorrer ao Executivo estadual. O senador, porém, tem sinalizado a pessoas próximas que mantém todas as possibilidades em aberto até que haja anúncio oficial sobre a vaga no Supremo.

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