A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) fechou o terceiro trimestre de 2025 com lucro líquido consolidado de R$ 767 milhões, uma queda de 75,7% na comparação com igual período do ano passado.
O recuo reflete principalmente o aumento dos custos de energia, o desempenho mais fraco da área de comercialização e a redução do consumo atendido pela distribuidora, ou seja, do mercado cativo.
O resultado foi divulgado após o fechamento do mercado da quinta-feira (13).
Considerando apenas as operações recorrentes, o Ebitda ajustado foi de R$ 1,47 bilhão, queda de 16%. Segundo o relatório de resultados da companhia, a atividade de comercialização sofreu com preços mais altos no mercado de energia, enquanto a distribuição registrou retração de 4,4% na energia entregue (excluindo geração distribuída).
O resultado financeiro líquido somou despesa de R$ 276 milhões, aumento de R$ 214 milhões ante o 3T24, puxado pela alta da Selic e pela maior dívida bruta, conforme a estatal.
Ainda assim, a companhia encerrou setembro com alavancagem de 1,76 vez a dívida líquida sobre o Ebitida ajustado, o que significa que a empresa levaria aproximadamente um ano e oito meses para pagar o débito. O nível é considerado confortável pelas agências de risco. Em setembro, aliás, a Moody’s elevou o rating da Cemig para AAA.
Receita líquida
Apesar do lucro menor, a receita líquida cresceu 4,6% no trimestre, impulsionada pelo reajuste tarifário. Os custos operacionais, porém, avançaram 9%, com destaque para o gasto com compra de energia, que subiu 13%.
A empresa também destacou que segue com ritmo elevado de investimentos, que somam R$ 4,7 bilhões nos nove primeiros meses de 2025, principalmente em distribuição e transmissão.
Propag
O Governo de Minas Gerais propôs formalmente à União a utilização da sua fatia de ações na Cemig como forma de abater parte da dívida estadual.
A oferta, que está avaliada em cerca de R$ 13,5 bilhões, foi encaminhada ao Tesouro Nacional em um ofício que formaliza o pedido de adesão ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag).
A proposta prevê a transformação da Cemig em uma corporation, com a pulverização das ações no mercado, mas o Estado manteria uma golden share (poder de veto) em decisões estratégicas.
Atualmente, a participação efetiva do Executivo mineiro na energética é de aproximadamente 17% do capital total.
Deputados avaliam, no entanto, que são baixas as chances de os parlamentares aprovarem o projeto de lei que transforma a energética em uma corporação.