A Operação As Built, deflagrada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para apurar suspeitas de fraude e superfaturamento em contratos da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), desencadeou uma crise interna na autarquia da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH).
Servidores relatam que o clima interno se deteriorou após a ofensiva, com o aumento do sentimento de insegurança, receio de retaliações e dúvidas sobre os desdobramentos da investigação.
A apuração do MPMG começou após auditoria interna aberta pela prefeitura em fevereiro. Desde junho, o Executivo municipal trabalha em parceria com as autoridades na investigação. A engrenagem, de acordo com a acusação, funcionava por meio pessoas que fiscalizavam as obras pela Sudecap e, simultaneamente, para as empresas contratadas para executá-las.
Nos dias seguintes à operação, parte do corpo técnico da autarquia começou a redigir uma carta à sociedade. No rascunho inicial, o grupo pretendia registrar problemas estruturais que, segundo eles, afetam o funcionamento da autarquia: precarização das condições de trabalho, substituição de fiscais efetivos por contratados via Processo Seletivo Simplificado (PSS), além de relatos de assédio moral em setores estratégicos.
O texto também mencionaria a percepção de que níveis superiores da Sudecap estariam protegidos no processo de responsabilização.
A iniciativa, porém, não avançou. Em seu lugar, uma nota institucional foi divulgada por uma das associações que representam os servidores da Sudecap, com tom distinto do inicial.
Seis servidores apontados como suspeitos pelo MPMG foram afastados por seis meses, conforme determinação judicial. Segundo a prefeitura, os consórcios e empresas envolvidos serão alvos de processo administrativo interno.
