Diversificação econômica: Sindinfor cria catálogo com propostas e entregará documento a candidatos em 2026

Portfólio terá diretrizes para ampliar a mão de obra, criar hubs e estimular novos negócios no estado
Fábio Veras é presidente do Sindinfor Foto: Tatiana Moraes

O fomento estruturado à tecnologia é um dos caminhos centrais para a diversificação econômica de Minas Gerais. A avaliação é do presidente do Sindicato da Indústria de Software e da Tecnologia da Informação de Minas Gerais (Sindinfor), Fábio Veras, feita durante evento da entidade que contou com palestra do CEO da Quaest, Felipe Nunes, nesta sexta-feira (28).

Para ajudar prefeituras e o governo estadual a reduzirem a dependência de poucos setores, o Sindinfor prepara um catálogo de projetos que será entregue em março aos candidatos das eleições de 2026. “Todos falam de diversificação econômica, mas não vimos, até hoje, uma proposta concreta. O Sindinfor tem”, afirma Veras.

O portfólio reunirá diretrizes para formação, atração e retenção de profissionais, estímulo ao empreendedorismo tecnológico e a sugestão de criação de um Plano Diretor Tecnológico para o estado e municípios. 

“Tem que ter metas claras. O Rio de Janeiro se coloca como a cidade que quer ser o centro de inteligência artificial do Brasil. Recife se coloca no lugar de centro de formação de desenvolvedores e programadores”, exemplifica.

Segundo Veras, o primeiro eixo é um plano de formação. A proposta é que União, estados e municípios estabeleçam metas de qualificação de técnicos e programadores, ampliando rapidamente o contingente atual de cerca de 70 mil profissionais em Minas para centenas de milhares. 

Ele ressalta que, embora o piso salarial do setor seja de R$ 3,5 mil, os vencimentos costumam ser mais altos. “Quando você forma um programador, ele pode trabalhar de qualquer lugar. Em uma cidade com 100 profissionais, são R$ 350 mil a mais circulando por mês. Isso muda a economia local”, diz.

O catálogo inclui, ainda, a criação de hubs, programas de aceleração, incentivos a novos negócios e um diagnóstico do tecido empresarial mineiro. A proposta também prevê o fortalecimento da infraestrutura digital. “Wi-Fi é o asfalto da nova economia. Sem estrada, não há desenvolvimento”, resume.

Veras reforça que a tecnologia é um dos poucos setores capazes de gerar escala sem aumento proporcional de insumos. “A escalabilidade é infinita. Por isso, entre as dez maiores empresas do mundo, sete são de tecnologia. É onde o PIB se multiplica”, afirma.

Entrevista com Fábio Veras, presidente do Sindinfor

O Fator: Como a tecnologia pode auxiliar as políticas públicas?

Fábio Veras: O segmento da indústria de software, da TI de Minas Gerais, acredita muito na agenda de política pública e na aliança entre o setor privado para a recomendação de plataformas. Então, a gente tem várias dimensões disso.

Uma delas é o governo como plataforma, ou seja, você tem integrações API’s, dados governamentais disponíveis para a iniciativa privada, para que essa possa propor soluções.

Governos abertos são uma experiência que no Reino Unido, na Estônia, em vários lugares do mundo, tem funcionado muito bem. 

E, além disso, a gente tem que ter a consciência de que o desenvolvimento da tecnologia depende basicamente de empreendedores aptos a fazer tecnologia e do seu talento, da formação de mão de obra.

Então, o Brasil precisa de um plano diretor de formação de mão de obra, precisa desenvolver programadores. Minas, hoje, tem 70 mil profissionais. Nós precisamos ter 300, 400, 700 mil. Tem mercado para essa mão de obra.

O Fator: Como funciona o plano diretor?

Fábio Veras: Ele é uma diretriz, ele é um framework, um arcabouço, que pega desde a quantidade de pessoas que temos que formar, espaços como hubs que a gente tem que fomentar, programas de aceleração, incentivos para o desenvolvimento de novas soluções. 

Então, o Plano Diretor Tecnológico é um conjunto de diretrizes, mas com metas muito claras, aderentes à realidade econômica do nosso estado, para que a gente possa dar o salto.  

O Rio de Janeiro, por exemplo, se coloca como uma cidade que quer ser o centro da inteligência artificial do Brasil. Recife se coloca no lugar que quer ser o centro de formação de desenvolvedores e programadores do Brasil. Eles criaram bolsas, mandam alunos de escola pública para o exterior, tem programas incríveis.

O Fator: Qual a participação do poder público no desenvolvimento da cadeia tecnológica?

Fábio Veras: Quando o poder público se posiciona, ele não apenas ajuda a identificar aquele território por quem já é dali, quem é de fora, e atrair novos talentos. Ele também induz um crescimento diferenciado.

Então, ser visionário, vocalizar posturas em relação a que modelo de tecnologia a gente quer ser, ajuda a gente a se posicionar melhor em um mundo onde percepção e realidade andam juntas. E o poder público lidera essa chamada, muitas vezes, antes da iniciativa privada.

E o Sindinfor quer ser parceiro, voluntário, para orientar os municípios.

A diversificação econômica é uma meta para Minas Gerais e você diz que a tecnologia é o caminho. Como?

Fábio Veras: Todos falam de diversificação econômica, mas a gente não viu até hoje uma proposta concreta. Nós, do Sindinfor, temos uma proposta de diversificação econômica para o nosso estado e para as nossas cidades.

Hoje o piso salarial do nosso setor é R$ 3,5 reais. E o setor paga mais do que isso. Com dois anos de um curso técnico em uma cidade com 100 programadores, há R$ 350 mil reais mensais a mais circulando. Então, o que você precisa é de formação de mão de obra estruturada.

E quando você tem um programador, ele pode não ser apenas o funcionário de uma empresa, como ele pode ser um empreendedor, um microempreendedor individual e se transformar em uma grande empresa.

Ele pode criar uma solução nova, como o Uber criou, como o Airbnb criou, enfim, como o Google. Então, a tecnologia é o único segmento que ele tem em escala.

O Fator: Explique melhor, por favor.

Fábio Veras: Se eu tenho um carrinho de pipoca e eu posso vender tantas pipocas quanto aquele forno produz, se eu quiser dobrar a minha produção, eu preciso comprar um outro carrinho de pipoca com a mesma quantidade de milho.

A tecnologia tem uma escalabilidade infinita, que não exige os mesmos recursos para dobrar, triplicar, quintuplicar ou decuplicar. Por isso que das dez maiores empresas do mundo, sete são de tecnologia. Porque é o lugar onde o PIB se multiplica, onde a receita se multiplica. Não existe nenhum outro setor que faça isso.

Por isso a gente acha que esse é o caminho mais rápido da diversificação econômica.

O Fator: E como o Sindinfor tem se organizado para fazer isso?

Fábio Veras: Estamos terminando de construir para os candidatos. Fazemos eventos, conversamos com formadores de opinião, com os meios de comunicação, e levantamos os dados e informações necessárias para criar as pautas prioritárias. Essa é uma agenda desafiadora, porque ela é complexa.

O Fator: Vocês vão fazer um catálogo com essas propostas e entregar aos candidatos?

Fábio Veras: Sim, vamos fazer uma proposta escrita e entregar em março do ano que vem para candidatos de todas as esferas, inclusive presidente.

O Fator: Você pode citar algumas propostas que serão incluídas no catálogo?

Fábio Veras: O plano diretor de formação tecnológica da juventude, o fomento a mecanismos de desenvolvimento de negócios tecnológicos, que é um lugar muito específico, e o Plano Diretor Tecnológico estadual e federal. E temos, também, um plano de infraestrutura, telecomunicações e redes de suporte.

Por exemplo, Wi-Fi é o asfalto, é a estrada digital. Sem estrada, a gente não chega a lugar nenhum. Sem estrada, não tem desenvolvimento.

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