Interlocutores da Assembleia Legislativa (ALMG) ficaram surpresos com o modelo de evento escolhido pelo governo de Minas Gerais para oficializar a lei que permite a doação do Hospital Regional de Divinópolis, no Centro-Oeste do Estado, à Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ). Autora do projeto que dá sinal verde à transferência do terreno, a deputada Lohanna França (PV) não foi convidada para o ato, ocorrido nesta segunda-feira (12), em Belo Horizonte.
A sanção aconteceu durante reunião com o deputado estadual Eduardo Azevedo (PL), irmão do prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo (Novo). Eduardo se declara independente em relação ao governo de Romeu Zema (Novo), enquanto Lohanna integra a coalizão de oposição.
A lei autorizando o repasse da posse da casa de saúde, que ainda não teve as obras concluídas, será publicada na edição desta terça-feira (13) do Diário Oficial do Estado. A transferência foi aprovada pela Assembleia em 10 de dezembro.
O acordo prevê que, de posse do hospital, a UFSJ entregará a gestão à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).
Governo fala em ‘reunião’ com Eduardo Azevedo
O Fator perguntou ao governo de Minas sobre a ausência de Lohanna entre os convidados. O Executivo não respondeu ao questionamento, mas compartilhou com a reportagem um material produzido pela Agência Minas, veículo oficial de imprensa do Palácio Tiradentes, para publicizar a sanção. O texto diz que a lei foi assinada por Zema “durante reunião com o deputado estadual Eduardo Azevedo”.
Ao comentar o acordo em prol da doação do hospital, Zema afirmou que a data de início do funcionamento do local “está cada vez mais próxima”.
“A unidade de saúde será uma das mais modernas do estado e atenderá mais de um milhão de mineiros da cidade e região. Um passo importantíssimo na melhoria da nossa saúde”, falou.
As obras do Hospital de Divinópolis foram retomadas em 2023, após sete anos de paralisação. O projeto prevê a instalação de 202 leitos. Para as intervenções, foram reservados R$ 40 milhões oriundos do acordo de reparação pela tragédia de Brumadinho, em 2019.
Vaivém
Em janeiro do ano passado, o Palácio Tiradentes e a Ebserh chegaram a assinar um acordo de cooperação que previa a federalização da área.
Meses depois, contudo, o Executivo passou a considerar a hipótese de incluir o Hospital de Divinópolis nas tratativas do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). O objetivo era inserir a área na lista de imóveis oferecidos à União como forma de abater um débito que ultrapassa os R$ 179 bilhões.
A proposta de atrelar o imbróglio do hospital ao Propag, contudo, acabou negada pela Ebserh, uma vez que o acordo inicial não relacionava o futuro da casa de saúde à renegociação da dívida.
O projeto de lei autorizando a doação, então, surgiu como opção para ratificar os termos do acordo de cooperação de janeiro.
