Presidente do Conselho de Administração da Copasa renuncia ao cargo

Decisão foi tomada horas após reportagem mostrar delação de Hamilton Amadeo sobre pagamentos de propina nos tempos de Aegea
Barragem da Copasa
Privatização da Copasa foi aprovada por deputados em dezembro de 2025. Foto: Copasa/Divulgação

O ex-CEO da Aegea, Hamilton Amadeo, renunciou na noite desta quinta-feira (12) à presidência do Conselho de Administração da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), conforme antecipou O Fator. A saída foi comunicada ao mercado por meio de Fato Relevante divulgado após o fechamento do pregão.

A decisão foi tomada após reportagem do Uol citar trechos de uma delação premiada do executivo sobre o pagamento de propinas a agentes públicos para favorecer contratos da Aegea, quando ele comandava a empresa privada.

Em nota, a Copasa afirmou que “os fatos reportados pela imprensa referem-se estritamente à trajetória profissional anterior do executivo, sem qualquer vínculo com sua atuação na Copasa ou com a integridade das operações desta instituição”. A renúncia tem efeito imediato.

Propina

Segundo reportagem do Uol, Amadeo confessou à Justiça ter autorizado, a partir de 2012, repasses milionários a agentes públicos, com o objetivo de destravar contratos e aditivos favoráveis à empresa em pelo menos dois estados. O dinheiro era usado para pagamento de dívidas de campanhas eleitorais.

Desestatização

O caso acontece em meio ao processo de desestatização aprovado pela Assembleia Legislativa e, agora, em fase de preparação operacional pelo governo de Romeu Zema (Novo).

O Conselho de Administração da estatal havia agendado para o dia 23 deste mês a análise da proposta de privatização do governo de Minas. Após a divulgação das revelações, no entanto, entidades contrárias à venda da estatal passaram a buscar na Justiça o adiamento da reunião, como antecipou O Fator.

O leilão da companhia está previsto para este ano e deve financiar parte das contrapartidas do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag).

O governo de Minas trabalha prioritariamente com um modelo de privatização que prevê a entrada de um parceiro estratégico no capital da Copasa. A proposta enviada à direção da empresa estabelece a busca por um investidor de referência, com experiência comprovada no setor de saneamento.

Pelo desenho em estudo, o Estado pretende transferir cerca de 30% da participação acionária a esse parceiro. Caso a operação se concretize, o governo reduziria a fatia dos atuais 50,3% para aproximadamente 5%, enquanto o restante das ações seria ser negociada separadamente no mercado.

Presença na ALMG

Antes mesmo de o governo estadual avançar com o projeto de privatização da Copasa, a Aegea já se movimentava nos bastidores em Minas Gerais.

Ao longo de 2025, executivos e representantes da empresa passaram a circular pela ALMG, em agendas com parlamentares e técnicos para compreender os detalhes do modelo de concessão que vinha sendo desenhado pelo governo.

Em julho, o próprio CEO da companhia, Radamés Casseb, tornou público o interesse da Aegea no saneamento mineiro. À época, disse que a empresa aguardava apenas a definição formal das regras do processo para entrar oficialmente na disputa pelo controle da estatal.

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