O PSD de Minas Gerais aposta que o jogo eleitoral só começa de fato 60 dias antes da votação e sustenta que é nesse período que o desempenho do vice-governador Mateus Simões nas pesquisas sobre a corrida pelo Executivo estadual deve ser levado em consideração. Por isso, a legenda minimiza o fato de o pré-candidato figurar nas últimas posições dos mais recentes levantamentos de intenção de voto.
A avaliação interna é de que as oscilações nas pesquisas refletem um cenário pré-eleitoral restrito ao meio político e distante das prioridades da população. Em encontro com jornalistas nesta segunda-feira (2), o presidente estadual do partido, Cássio Soares, apontou que não há ambiente social para crescimento consistente de Simões antes da fase decisiva do calendário eleitoral.
Segundo Soares, quem discute eleição agora são partidos, lideranças e analistas, enquanto o eleitor ainda não está mobilizado pelo debate sucessório.
O plano é chegar a agosto com chapas legislativas consideradas fortes e bases locais ampliadas. A ideia é utilizar o período até lá para vincular diretamente o nome de Simões a pontos vistos como positivos na gestão de Romeu Zema (Novo).
A meta traçada internamente é eleger entre oito e 10 deputados federais e cerca de 15 estaduais, fortalecendo a estrutura para a disputa majoritária.
Para associar diretamente o nome de Simões às bandeiras da gestão Zema, a estratégia é intensificar a exposição institucional e apresentar resultados concretos da administração estadual como ativo eleitoral. O vice-governador é aliado de primeira hora do chefe do Executivo e deve sucedê-lo a partir de 22 de março, quando o político do Novo deixará o cargo para concorrer à Presidência da República.
Mudança na comunicação
No campo da comunicação, o partido promoveu mudanças no marketing com a contratação de Paulo Vasconcelos para atuar na comunicação institucional e na pré-campanha. A escolha de Vasconcelos para ocupar a vaga que era de Renato Pereira é tratada como parte da preparação para o período em que o vice estará à frente do Executivo e poderá capitalizar entregas e agendas administrativas.
O PSD também analisa o cenário da direita em Minas. A interlocução com o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) é mantida, com a intenção de evitar fragmentação do campo conservador. Ao mesmo tempo, a direção reconhece que insistir apenas na identificação ideológica pode limitar o alcance eleitoral. A orientação é projetar Simões como gestor, apontando-o como peça importante para o desenvolvimento de políticas públicas da atual administração.