Com a decisão do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), de disputar o governo de São Paulo, o presidente Lula vai focar, nos próximos dias, suas atenções que envolvem o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), nome defendido por ele para concorrer ao governo de Minas Gerais.
Pacheco sinalizou disposição para participar da corrida rumo ao Executivo estadual. Por isso, agora, o esforço é para assegurar ao senador um partido de centro que lhe garanta capilaridade no estado e estrutura para realizar uma campanha de oposição ao governo de Romeu Zema (Novo).
Lula e Pacheco vêm conversando, nos últimos dias, com certa frequência, sobre as alternativas possíveis. O União Brasil, do aliado Davi Alcolumbre (AP), parece o caminho mais viável. Pacheco, inclusive, assegurou o comando da legenda em Minas a outro aliado, o deputado federal Rodrigo de Castro. A dúvida que persiste é se o União permanecerá neutro na disputa presidencial ou se alinhará a algum nome de oposição a Lula.
Nesse último caso, a entrada de Pacheco na legenda se inviabiliza. Uma nova conversa entre os dois pode acontecer ainda nessa semana.
Apesar do imbróglio que se arrasta desde o ano passado, quando o vice-governador de Minas, Mateus Simões, filiou-se ao PSD, retirando espaço de Pacheco, os entornos de Lula e do senador acreditam numa solução para os próximos dias. Além da dificuldade de encontrar uma legenda viável, Pacheco resistia a uma candidatura, reclamando, em conversas privadas, de cansaço após quatro anos na Presidência do Congresso Nacional, e relatando o desejo de se dedicar à advocacia.
Ao mesmo tempo, Lula não abre mão do nome de Pacheco, visto por ele como única candidatura capaz de garantir um palanque sólido no segundo maior colégio eleitoral do país e com chances de vitória. A visão do presidente é reforçada pelo fato de Pacheco ser, no campo do presidente, o mais bem posicionado para a disputa mineira, conforme comprovam levantamentos mais recentes dos institutos F5 e Paraná Pesquisas. Em ambas as amostras, divulgadas na última segunda-feira, Pacheco aparece em segundo lugar, mesmo sem ter confirmado sua pré-candidatura.
Outra análise vinda do Planalto é que o atual desempenho do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se consolidou como o principal adversário de Lula, deu-se em função de o presidente não ter contado, até agora, com nomes de peso em São Paulo e Minas Gerais.
Nos dois estados, onde a mobilidade dos votos é maior, a visão palaciana é que o bolsonarismo “surfa sozinho e de forma articulada”, sem nenhuma oposição. Com as entradas de Haddad e Pacheco em campo, segundo essas mesmas fontes do Planalto ouvidas, a tendência é que esse crescimento do bolsonarismo seja interrompido, a partir das defesas mais contundentes das ações do governo federal e do enfrentamento direto aos nomes de oposição a Lula nesses estados.