O pré-candidato à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), tem se equilibrado na corda-bamba para fazer valer sua autoridade no partido em Minas Gerais. Nos bastidores, conforme apurou O Fator, ele tenta segurar o ritmo das definições políticas no estado e deixar claro que as decisões sobre a chapa estadual vão passar pelo crivo dele.
O movimento ocorre em meio a uma estratégia mais ampla do presidenciável: a de insistir em ter o ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo) como seu vice na corrida ao Palácio do Planalto. O plano, contudo, esbarra no fato de que o diretório estadual é dividido entre o grupo liderado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e a outra ala mais institucional.
Flávio, inclusive, tenta manter a relação apaziguada com Nikolas, que nos últimos meses coleciona entreveros com outros membros da família Bolsonaro e aliados. Principal puxador de votos da legenda no estado, o deputado federal defende que a sigla apoie a candidatura do governador Mateus Simões (PSD) ao comando do estado.
Com o peso que tem nas redes sociais e nas urnas, Nikolas tem dado as cartas em negociações, vetou nomes para entrar no partido e tem participado de viagens com Simões. Flávio, por sua vez, tem trabalhado para mantê-lo por perto, mas não a ponto de perder protagonismo, e se consolidar como o porta-voz do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Já outro grupo da sigla quer manter as portas abertas para uma candidatura, seja em uma composição com o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) ou com um nome do PL. Integrantes dessa ala avaliam ainda que, em temas ligados à segurança pública no estado, pode haver um afastamento entre Nikolas e Simões.
Mas, segundo interlocutores, independentemente de qual seja o grupo, a ansiedade das alas tem atrapalhado Flávio Bolsonaro, que já pediu que seja respeitada a hierarquia e que as decisões sobre a chapa em Minas sejam tomadas após a definição nacional. Ele não quer que sejam dadas esperanças nem feitas promessas.
Aproximação com Zema
O cálculo do senador leva em conta a aproximação recente com Zema, que também é pré-candidato à Presidência. O movimento busca atrair o mineiro para compor a chapa, diante do afunilamento do tempo e do que indicam pesquisas eleitorais.
Soma-se a isso a tentativa de evitar que o político Novo ocupe o espaço de principal referência na defesa de pautas da direita, como embates com o Supremo Tribunal Federal (STF). Zema mantém o discurso de que irá disputar a Presidência da República, e os dois chegaram a fazer uma publicação baseada em um vídeo viral para brincar com a situação.
Flávio também argumenta com os correligionários que um fechamento com Zema, em um plano inicial, vai ditar os rumos da sigla no estado, uma vez que o ex-governador é quem levou adiante o plano de Simões, então seu vice, de disputar o governo mineiro. Ele também já avisou aos membros da sigla que qualquer fala sobre a chapa em Minas precisa de sua autorização.