O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstra “tranquilidade” sobre o palanque em Minas Gerais nas eleições deste ano. E, enquanto a indefinição para a disputa no segundo maior colégio eleitoral do país preocupa lideranças mineiras da sigla, esse mesmo quadro é tratado com “naturalidade” por figuras do entorno do petista.
A avaliação de estrategistas é de que no estado o presidente sempre dependeu fundamentalmente do próprio nome e dos programas que levam o seu selo. Diante do cenário nebuloso que se desenha na disputa estadual, o governo federal já trabalha desde o início do ano com os olhos voltados para a publicidade dos programas sociais em Minas.
Nos bastidores, um dos motivos apontados é a disposição histórica do eleitor mineiro de dissociar o voto para presidente do voto para governador. O principal exemplo, citam, foi o “voto lulécio” nos pleitos de 2002 e 2006, quando Lula venceu o Palácio do Planalto e o hoje deputado federal Aécio Neves (PSDB) foi eleito governador no estado.
Naquelas eleições, o ex-deputado federal Nilmário Miranda (PT) foi quem tentou o comando de Minas nos dois primeiros mandatos do petista. Em 2022, foi a vez do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PSD) amargar a derrota também em um cenário onde Lula saiu vitorioso, e foi ensaiado até mesmo o voto “Lulema”, em referência a Romeu Zema (Novo).
A única vitória petista ao Palácio Tiradentes veio em 2014, com Fernando Pimentel, já no governo Dilma Rousseff. A gestão, marcada por uma crise fiscal grave, abriu caminho para a ascensão de Zema em 2018, ano em que o PT perdeu tanto em Minas quanto no plano nacional, com o então candidato Fernando Haddad.
O cenário ideal e o que saiu dos trilhos
O cenário considerado ideal pelo presidente para 2026 era ter o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) como candidato ao governo do estado. A ideia, desenhada ainda no ano passado, era investir na campanha estadual com um nome de peso. O projeto, porém, encontrou resistência do próprio parlamentar.
Como mostrou O Fator, na última semana o senador se reuniu com dois emissários de Lula, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e o vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB). Na ocasião, Pacheco sinalizou que não quer continuar na vida política. Agora, aliados esperam uma conversa entre o presidente e o parlamentar para selar esse destino.
Como também mostrou a reportagem, outro caminho estudado pelo senador é uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU), que deve abrir com a saída antecipada de Bruno Dantas para a iniciativa privada. O principal entusiasta da ideia é o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Pacheco, contudo, ainda avalia os quadros.
A estratégia paralela
Diante da incerteza sobre o palanque, fontes ouvidas pela reportagem dizem que Lula não ficou parado. Nos últimos dois anos, o presidente não só multiplicou suas viagens ao estado como enviou ministros para promover programas federais e mobilizou cabos eleitorais pelo interior de Minas, com o objetivo de reforçar a presença do governo nas regiões.
O cálculo foi o de que programas como o Desenrola, o Pé de Meia, o Agora Tem Especialista, o Reforma Casa Brasil, a isenção de Imposto de Renda e a escala 6×1, que está em andamento, precisam aparecer com o rosto de Lula, do PT e do que o governo federal fez, antes de qualquer definição sobre candidatos.
Os nomes em avaliação
Nos bastidores, como O Fator mostrou, já foi cotado que o nome preferido pelo presidente seria o do ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) Josué Alencar, em grande medida pelo vínculo histórico com o pai, José Alencar, que foi vice-presidente nos dois mandatos de Lula.
Interlocutores reconhecem, porém, que em termos de competitividade o nome ficaria aquém do necessário, mas é uma figura pela qual o presidente tem apreço. Por outro lado, também são discutidos nomes que possam dar a Lula um palanque sem recorrer a uma candidatura estranha ao seu histórico.
Entre eles estão o da ex-reitora da UFMG Sandra Goulart e o do deputado federal Reginaldo Lopes (PT). A lógica, nesses casos, seria a de “sacrificar” um nome da legenda para garantir o palanque e evitar que ele migre para uma candidatura distante do campo petista. Além disso, teria a função principal de ajudar nas campanhas ao Legislativo.
PT mineiro na berlinda
A indefinição, no entanto, tem um custo interno em um diretório que já se encontra com queixas à condução dessas negociações. Isso porque o PT em Minas ficou à margem desde que as conversas com Pacheco foram iniciadas no ano passado por Lula e se vê, neste momento, sem alternativas definidas.
Nesse sentido, há cobranças a Edinho com preocupação crescente sobre os efeitos da indefinição nas chapas à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa. A despeito do silêncio do presidente, o partido já encomendou pesquisa para testar nomes. Mas, em suma, dirigentes dizem sob reserva que a palavra final sempre caberá ao presidente.