O Banco Safra classificou como atrativo o preço pago pela Equatorial para assumir o posto de investidor de referência da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). O grupo apresentou oferta de R$ 49,03 por ação, valor acima dos R$ 47,23 fixados como patamar mínimo pela estatal. Na visão do Safra, em um cenário otimista, o preço-alvo dos títulos da Copasa pode chegar a R$ 80.
A atratividade, segundo o Safra, reside na comparação com o atual preço-alvo dos papéis: R$ 65.
“Nesse cenário-base, a taxa interna de retorno real estimada chega a 11,1%. Por outro lado, em um cenário mais otimista, o preço-alvo pode alcançar R$ 80. Nesse caso, a taxa interna de retorno implícita sobe para cerca de 12,9%”, explicou o banco em relatório elaborado na sexta-feira (5), dois dias após a Copasa emitir comunicado oficializando a vitória da Equatorial.
Ainda conforme o material, o retorno da Equatorial com a operação da Copasa pode ser ampliado por meio do que chamou de “estrutura de financiamento eficiente”
“Como resultado, os ganhos do turnaround operacional (expressão usada para explicar reestruturações administrativas) da Copasa tendem a se materializar de forma mais rápida”, completou.
Mais de R$ 5,5 bilhões
Para assumir 30% do controle da Copasa, a Equatorial terá de desembolsar cerca de R$ 5,5 bilhões. Como a operação foi desenhada por meio da chamada oferta secundária, as cifras seguirão diretamente para o caixa do acionista vendedor — no caso, o governo de Minas Gerais.
De acordo com o relatório do Safra, a alavancagem da Equatorial vai crescer a curto prazo.
“As estimativas indicam que a relação dívida líquida sobre o Ebitda pode alcançar 4,8 vezes”, ponderaram os analistas do Safra.
Apesar da ressalva, os especialistas da instituição financeira afirmaram que a questão tende a ser pacificada com o tempo.
“O principal fator será a geração de caixa da Copasa, além do potencial fluxo de dividendos. Dessa forma, o impacto financeiro inicial não compromete a tese estrutural do investimento”, prosseguiram.
A proposta da Equatorial foi feita a partir da subsidiária Gerais Saneamento S/A. O grupo, que se notabilizou por investimentos no setor energético e já controla a Sabesp, manifestou o interesse de fazer uma alocação adicional de ações por meio da compra de alguns dos títulos destinados aos investidores profissionais.