A Equatorial vai apostar em um financiamento ponte para bancar a compra de ações da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). Os recursos vão ser captados a partir da emissão de R$ 7,5 bilhões em notas comerciais escriturais a serem lançadas pela Gerais Saneamento, subsidiária usada pela empresa para assumir o posto de investidor de referência da estatal mineira.
A estratégia consta em comunicado encaminhado a potenciais investidores no início da semana.
Nesta quinta-feira (11), a Equatorial citou, em teleconferência feita a agentes do mercado, a ideia do empréstimo ponte. A intenção é, posteriormente, trocar esse passivo, que é de curto prazo, por um financiamento de longa duração ou permanente, o chamado take-out.
Entre as alternativas, a Equatorial pontua dívidas da companhia e lançamento de novas ações no mercado, além de usar dividendos pagos por Copasa, Sabesp e distribuidoras de energia, a qual o grupo também é proprietário.
Especializada no setor energético, mas controladora da Sabesp, a Equatorial fatiou a engrenagem pela Copasa. A primeira etapa, já oficializada pela estatal, gira em torno da aquisição de 30% dos 50,03% atualmente detidos pelo governo do estado. Com a compra, o grupo passará a ser o investidor de referência da empresa. A negociação, que teve o preço de R$ 49,03 por título, ficou em R$ 5,5 bilhões.
A operação pode subir para R$ 7,9 bilhões se a Gerais Saneamento conseguir concretizar o desejo de obter mais 12,6% por meio de alocação acionária adicional. Na apresentação feita nesta quinta-feira, a Equatorial informou que o desenho tem “baixo impacto na alavancagem de curto prazo e totalmente revertido no médio prazo”.
Ainda conforme a holding, a estratégia preserva “a capacidade da Equatorial de continuar analisando novas oportunidades”.
Notas de R$ 1 mil
Os títulos de dívida emitidos pela Gerais Saneamento para custear a negociação terão valor de R$ 1 mil e só poderão ser negociados com investidores profissionais. O grupo planeja encerrar a venda das notas comerciais até 7 de dezembro deste ano.
A distribuição acontecerá com o apoio de quatro bancos: Bradesco (coordenador líder), Itaú BBA, UBS BB e Santander. Já a Equatorial será a fiadora da operação.
Os R$ 49,03 por papel ofertados pela vencedora à Copasa são cerca de 3% superiores ao preço mínimo de R$ 47,23 definido pelo acionista vendedor.