TCE dá 48 horas para Copasa se manifestar em ação contra liquidação da oferta de privatização

Prazo foi concedido nesta terça-feira (16), na esteira de representação protocolada por sindicato, que alega falta de concorrência
Privatização da Copasa foi concluída em cerimônia na B3
Privatização da Copasa foi concluída em cerimônia na B3. Foto: Gil Leonardi/Imprensa MG

O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) deu, nesta terça-feira (16), 48 horas para a Companhia de Saneamento (Copasa) se manifestar no âmbito de um pedido de suspensão da liquidação financeira da oferta de privatização da empresa.

No despacho, o conselheiro Agostinho Patrus determina que a Copasa preste informações sobre alegações como a suposta ausência de concorrência na disputa pelo posto de investidor de referência, vencida pelo Grupo Equatorial.

A empresa mineira terá de se posicionar na esteira de petição protocolada nessa segunda-feira (15) pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgoto (Sindágua-MG). Em maio, a entidade havia encaminhado à Corte duas representações requerendo a paralisação do processo de venda.

Além da alegação de suposta ausência de concorrência, a Copasa precisará emitir declaração a respeito da decisão da 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública de Belo Horizonte exigindo que a prefeitura da capital apresente à Câmara Municipal (CMBH) documentos referentes à extensão da concessão dos serviços de saneamento. A liminar sobre a disponibilização dos materiais foi concedida ontem pelo juiz Danilo Couto Lobato Bicalho, a pedido da vereadora Luiza Dulci (PT).

A determinação de Agostinho Patrus para a manifestação foi enviada diretamente à presidente da companhia, Marília Melo.

O que diz o pedido?

Ao tratar do cenário de não concorrência, o Sindágua-MG menciona a decisão da Livorno Participações, veículo montado pelos sócios da Aegea, de deixar a corrida pela Copasa. A empresa associou o recuo ao relançamento da oferta de privatização, em movimento que estipulou preço mínimo de R$ 47,23 para as ações.

De acordo com a entidade, o adiamento do leilão a fim da divulgação do piso financeiro “comprova que o modelo original faliu”. O redesenho, pontua, “não foi discutido em tempo hábil” com os atores interessados no assunto.

Apesar das queixas, o sindicato assegura que a cautelar solicitada não tem o objetivo de inviabilizar definitivamente a privatização. Nesse sentido, pontua que, a partir da liquidação, “o dano ao Erário é irreversível, com a possibilidade de transferência do patrimônio público com prejuízo”.

Contrato com Belo Horizonte

Originalmente válido até 2032, o vínculo entre Copasa e BH foi prorrogado, com fim previsto para 2073. Na ação em que pedia acesso aos documentos, Luiza Dulci afirmou ter encaminhado requerimentos sobre o tema à prefeitura em 30 de março, três dias após a assinatura do acordo. Conforme a parlamentar, os ofícios não foram respondidos.

O juiz Danilo Couto Lobato Bicalho, então, apontou que “a demora no fornecimento das informações pode esvaziar a utilidade prática da atividade fiscalizatória parlamentar, cuja efetividade depende do acesso tempestivo aos dados e documentos requisitados”.

Divisão do bolo

A Equatorial fará jus aos 30% que adquiriu por meio de uma subsidiária, a Gerais Saneamento. O posto de segundo maior acionista ficou com a Perfin, agora detentora de 20%. Como O Fator mostrou, os fundos da gestora fizeram uma pequena alocação via privatização, apostando prioritariamente na compra direta no mercado.

Além do percentual entregue ao sócio de referência, que se comprometeu a pagar R$ 5,59 bilhões, o governo de Minas Gerais disponibilizou 15% para negociações fracionadas. Ao todo, a oferta alcançou R$ 8,38 bilhões, com o Executivo estadual mantendo 5%. A participação de grupos internacionais na divisão acionária foi ampliada.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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