Psol se distancia de Kalil, mas parte da Rede ainda defende aliança pelo governo de Minas

Avaliação de que ex-prefeito tem adotado posições mais conservadoras alimenta resistência entre os pessolistas
Mudança na correlação de forças entre Rede e Psol influencia debate sobre os rumos da aliança em Minas. Foto: Divulgação

A possibilidade de a federação formada por Rede Sustentabilidade e Psol dar apoio a Alexandre Kalil (PDT) na disputa pelo governo de Minas Gerais começou a perder tração internamente. O Fator apurou que as reticências vêm, sobretudo, dos pessolistas.

O principal ponto de defesa à aliança vem da Rede, cujo porta-voz nacional é Paulo Lamac, vice de Kalil em seu primeiro mandato na Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). No entanto, mesmo que a composição saia do papel, a tendência é que nem todo o partido siga a orientação. O deputado federal André Janones, por exemplo, deve apoiar o candidato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seja ele o pedetista ou não.

No Psol, entre os motivos apontados para o desconforto está a avaliação de parte da legenda de que o ex-prefeito tem adotado posições cada vez mais conservadoras.

“Kalil está indo muito à direita”, disse o interlocutor, sob reserva.

As conversas entre a federação e Kalil tiveram início em abril deste ano. Na ocasião, o pedetista se reuniu em Brasília (DF) com Lamac, Janones e a presidente nacional do Psol, Paula Coradi. Também participaram do encontro a deputada federal Duda Salabert (Psol) e a ex-deputada Áurea Carolina, pré-candidata ao Senado Federal.

Cenário incerto

A ideia de Janones de dar sustentação ao candidato de Lula independentemente da decisão da Rede é acompanhada por outros pré-candidatos da sigla.

Como O Fator já mostrou, a vereadora belo-horizontina Iza Lourença, que assumiu recentemente o Psol mineiro, tem a mesma intenção. Ao mesmo tempo, Maria da Consolação, filiada à agremiação, se coloca como pré-candidata ao Executivo estadual.

Partidos unidos em uma federação precisam caminhar juntos eleitoralmente ainda que, na prática, sigam caminhos distintos. Foi assim que aconteceu com Rede e Psol em 2022. Majoritários na aliança, os pessolistas optaram por lançar chapa liderada pela professora Lorene Figueiredo. Embora tenha feito parte da coligação de Lorene, a Rede deu apoio informal a Kalil, à época no PSD.

Agora, contudo, a sigla majoritária da federação é a Rede. A definição considera os votos totais obtidos pelos partidos na etapa mineira da última disputa pela Câmara dos Deputados.

Guilherme Jorgui é jornalista e tem especialização em comportamento eleitoral, opinião pública e marketing político (UFMG).

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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