A ideia para destravar o Rodoanel levantada durante reunião de prefeitos e Simões com presidente do TRF-6

Governador e chefes de Executivos municipais estão de acordo em questões como o traçado da via
Segundo o governador Mateus Simões (PSD), prioridade é que TRF-6 se pronuncie sobre começo dos trabalhos. Foto: Divulgação

A reunião entre o governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), prefeitos da Grande Belo Horizonte e o presidente do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), o desembargador Ricardo Machado Rabelo, sobre o Rodoanel Metropolitano foi marcada por sugestões para desembaraçar o nó jurídico em torno da construção.

O Fator apurou que durante o encontro, ocorrido nesta quarta-feira (9) na sede da Corte, em BH, houve a ideia de promover uma mesa de conciliação com quilombolas que se dizem afetados pelo projeto. Pelo que soube a reportagem, a proposta partiu do prefeito de Contagem, Ricardo Faria (PSD).

Em julho, o TRF-6 autorizou a continuidade das etapas administrativas para preparar a consulta aos grupos populacionais atingidos, mas manteve o veto ao pontapé inicial da construção, cujo projeto prevê 100 quilômetros de pista. O processo está concluso para decisão em primeira instância. O Executivo aguarda essa sentença para prosseguir ou não com a empreitada.

Ainda conforme soube a reportagem, há concordância das cidades abrangidas pelo empreendimento quanto ao traçado da via. Estiveram presentes, além de Faria, prefeitos como Álvaro Damião (União Brasil), de Belo Horizonte, e Heron Guimarães, do mesmo partido, de Betim.

Rabelo sinalizou aos presentes que enxerga o caso como urgente. O Rodoanel, cabe ressaltar, é visto pelo Palácio Tiradentes como uma forma de desafogar o trânsito no Anel Rodoviário de BH.

De acordo com Mateus Simões, o mais importante por ora é que o TRF-6 profira decisão liberando ou não o começo dos trabalhos de pista.

“Esse impasse, com quase R$ 5 bilhões parados e R$ 12 bilhões em investimentos que seriam feitos não realizados, começa a cobrar um preço caro nas cidades, seja por conta das vidas que a gente continua perdendo no Anel, seja por conta dos equipamentos logísticos e industriais que poderiam estar se instalando no traçado do futuro Rodoanel”, afirmou, em menção aos valores envolvidos no projeto, que conta ocm R$ 3 bilhões oriundos do erário e R$ 2 bilhões de aporte da concessionária vencedora da licitação, a italiana INC S.P.A.

Impasse sobre quilombolas

O imbróglio na Justiça Federal está relacionado a uma ação civil pública ajuizada em 2022 pela Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais (N’Golo) e pela Prefeitura de Contagem.

No entendimento da N’Golo, a consulta deveria ter ocorrido antes de qualquer ato administrativo ligado à licitação, incluindo edital e minuta de contrato de concessão. Do outro lado, o estado alega que, em parcerias público-privadas, o momento adequado seria o licenciamento ambiental, sob responsabilidade da INC, que assinou o contrato de concessão em 2023.

Como O Fator mostrou no ano passado, há divergências entre o governo mineiro e o o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) quanto ao formato da Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI) que seria aplicada aos quilombolas. Uma das dissonâncias diz respeito ao número de comunidades aptas a participar do processo.

Nesse sentido, a mesa de conciliação serviria para agilizar os trâmites e evitar o prolongamento do embate.

Outro cenário

Os valores aportados pelo poder público no Rodoanel são provenientes do Acordo de Brumadinho, assinado em 2021. Pelo trato, a Vale se comprometeu a pagar R$ 37,6 bilhões a título de reparação do rompimento da barragem do Córrego do Feijão, ocorrido dois anos antes.

Conforme Simões, em um cenário sem aval judicial à continuidade do processo, o governo voltaria à mesa com os prefeitos da Grande BH para rediscutir a forma de uso dos recursos originalmente destinados à obra.

“O prefeito Álvaro Damião pondera a questão do Anel Rodoviário. Os prefeitos Heron e Ricardo ponderam a questão da linha 4 do metrô. Cada um dos prefeitos têm uma ponderação. Os prefeitos do Vetor Norte possuem muita preocupação com a não realização da obra e podem discutir, talvez, trechos do Rodoanel em vez do Rodoanel inteiro”, exemplificou.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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