A Itaminas vai dar férias coletivas a cerca de 300 funcionários, um terço de sua mão de obra. A razão passa pelo aumento no frete marítimo, que afeta diretamente as exportações de minério de ferro da empresa.
Conforme O Fator apurou, na falta de condições favoráveis do mercado, a mineradora, que opera nos municípios de Brumadinho e Sarzedo, já mantém um estoque equivalente a cerca de um mês de produção.
Agora, sem mais área para ampliar o estoque, a solução encontrada pelos executivos da foi suspender parte da produção. Por isso, a maioria dos funcionários que serão colocados em férias coletivas trabalham na planta de beneficiamento do minério.
A Itaminas tem capacidade anual de produzir cerca de 9 milhões de toneladas de minério de ferro, sendo que cerca de 90% é exportada. Até agosto, apurou a reportagem, a companhia já havia produzido 6,2 milhões.
Condições de mercado
A paralisação de parte da produção da Itaminas segue o anúncio da semana passada da Usiminas, que também precisou suspender parte de sua produção de minério de ferro.
Nos bastidores, executivos pontuam que a guerra no Irã impactou tanto o frete marítimo que hoje ele chega a custar 40% do preço da tonelada de minério de ferro – cotado atualmente em cerca de US$ 100. Em termos de comparação, o custo de produção da Itaminas varia entre US$ 21 e US$ 23 por tonelada.
Como a maior parte da produção de ferro no país é exportada para a China, o aumento impacta diretamente as vendas das mineradoras, sobretudo aquelas médias que operam em Minas Gerais e que dependem da infraestrutura ferroviária e portuária das grandes, como Vale e CSN. A Itaminas exporta sua produção por meio do porto Sudeste, em Itaguaí (RJ).
Além disso, é improvável que o frete marítimo, dependente sobretudo do preço do petróleo, se restabeleça em breve, o que pressiona ainda mais as mineradoras. Por outro lado, a queda na oferta de minério de ferro nas próximas semanas pode aumentar o preço da commodity e aumentar a atratividade da produção.