A expectativa nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF) é de que o julgamento que pode abrir caminho a uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, iniciado na manhã desta terça-feira (15), dificilmente termina em uma única sessão.
O Fator apurou que, mesmo com a intenção do presidente da Corte, ministro Edson Fachin, de estancar o escândalo e resolver a controvérsia de uma vez, pedidos de vista devem adiar o desfecho. Ao mesmo tempo, Moraes e aliados pretendem direcionar os holofotes ao ministro André Mendonça.
Em documento enviado à Corte, Moraes já deu o tom da fala. O ministro deve centrar a manifestação na defesa da democracia e na atuação após o 8 de janeiro de 2023, e cobrar as razões de Mendonça não ter levantado a integralidade do sigilo.
Além disso, ele deve evitar mencionar o ministro Dias Toffoli, cujo nome também apareceu em documentos da investigação da Polícia Federal (PF) sobre o caso Master e as relações de Daniel Vorcaro.
Está em pauta a validade do relatório da PF produzido a partir dos dados extraídos do celular do ex-controlador do Banco Master, que aponta mais de 50 mensagens enviadas a um número atribuído a Moraes. Não há denúncia nem inquérito formal contra o ministro.
Antes de discutir o conteúdo, o plenário terá de enfrentar o pedido de nulidade apresentado pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Para o procurador-geral, Paulo Gonet, ministros do Supremo só podem ser investigados com autorização prévia do colegiado.
O início do desentendimento
O caso nasceu da operação Compliance Zero e chegou à Corte no fim de 2025. A relatoria coube inicialmente ao ministro Dias Toffoli e passou a Mendonça no início de 2026, após questionamentos sobre imparcialidade.
Como relator, Mendonça determinou à PF o aprofundamento da investigação sobre a suposta rede de influência de Vorcaro. A diligência acabou por identificar Moraes como interlocutor das mensagens.
Em seguida, o ministro reduziu o grau de sigilo do processo e tornou o material público, ao indicar que o caso deveria ser analisado pelo plenário. Ao tomar conhecimento da ordem, Moraes procurou o colega para uma conversa, que terminou em bate-boca.
Ministros na mira
O material extraído do celular de Vorcaro também alcança Mendonça e Toffoli. Mensagens e áudios revelaram um encontro reservado entre Mendonça e o banqueiro em março de 2025, em São Paulo, meses antes de o ministro assumir a relatoria do caso.
Mendonça confirmou a reunião, afirmou que se limitou a ouvir o empresário e disse que o assunto foram créditos de precatórios de interesse do Banco Master. Segundo o gabinete, sua atuação no processo foi contrária à posição defendida por Vorcaro.
No caso de Toffoli, um relatório de 196 páginas da PF o aponta como possível dono de um fundo que recebeu ao menos R$ 35 milhões de Vorcaro, parte transferida para uma holding nas Ilhas Virgens Britânicas. O gabinete de Toffoli afirma que o ministro nunca manteve recursos no exterior nem recebeu valores do banqueiro.