Cassado em 2016 e derrotado nas urnas de São Paulo em 2022, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (Republicanos) acumulou mais uma derrota e não conseguiu se eleger deputado federal por Minas Gerais.
Com a vida política construída no Rio de Janeiro, ele havia recebido, até as 00h05 de segunda-feira, 32.075 votos, insuficientes para conquistar uma das 53 cadeiras do estado no Legislativo. Ele perdeu o mandato em setembro de 2016 por quebra de decoro. Em 2022, pelo PTB, teve 5.044 votos em São Paulo e ficou na 383ª posição.
A votação ocorreu neste domingo (4). Cunha disputou o pleito com o registro indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) e tentava reverter a decisão no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Por isso, os votos aparecem como anulados sub judice e não entram na totalização.
Candidatura barrada
Como mostrou O Fator, o TRE-MG barrou o registro por unanimidade em 3 de setembro. A disputa gira em torno de quando começam a contar os oito anos de inelegibilidade previstos na Lei da Ficha Limpa.
Pela regra antiga, o parlamentar cassado ficava impedido pelo resto do mandato e por mais oito anos depois do fim da legislatura. Como Cunha perdeu o mandato em setembro de 2016 e a legislatura terminou em 2019, ele só poderia voltar a concorrer em 2027.
No ano passado, o Congresso mudou a lei e os oito anos passaram a contar da data da cassação. Por essa conta, Cunha estaria liberado desde setembro de 2024. Foi com base nisso que ele pediu o registro em Minas.
O TRE-MG considerou a mudança inconstitucional, aplicou a regra antiga e rejeitou o recurso apresentado pelo ex-deputado. A defesa recorreu ao TSE, onde o caso está com o ministro Floriano de Azevedo Marques e ainda não foi julgado. A Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) opinou pela manutenção do indeferimento.
Aposta em rádios, futebol e igrejas
Cunha transferiu o domicílio eleitoral para Belo Horizonte e montou a campanha sobre três frentes. A primeira foi a comunicação, com a expansão pelo interior da Rede 89 Maravilha, de perfil gospel e ligada ao ex-deputado, além de acordo com a Jovem Pan para novas emissoras.
Ele também se aproximou de clubes de futebol, como o Uberaba Sport Club, e de pastores e outras lideranças evangélicas. A campanha ocorreu em paralelo a uma investigação no Supremo Tribunal Federal (STF).
Relatório da Polícia Federal (PF) aponta que Cunha articulou o envio de emendas parlamentares a cidades mineiras mesmo sem mandato, por meio de outros deputados. O intuito era criar uma base eleitoral no estado.
O relator do caso, ministro Flávio Dino, bloqueou R$ 6,1 milhões em bens do ex-deputado e suspendeu o pagamento das emendas investigadas. A apuração segue em curso. Cunha nega irregularidades e classifica a investigação como perseguição política.
