A estratégia da oposição a Zema para os debates sobre o Propag

Parlamentares vão abordar projetos do pacote para a adesão ao plano em 13 audiências individualizadas
A deputada Beatriz Cerqueira
Ideia de individualizar os debates sobre os projetos do Propag partiu de Beatriz Cerqueira. Foto: Luiz Santana/ALMG

Depois de o vice-governador Mateus Simões (Novo) ter ido à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) na semana passada para explicar, aos deputados estaduais, as diretrizes do plano para a adesão do estado ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag), parlamentares defendem o aprofundamento dos debates sobre os detalhes de cada um dos 13 projetos do chamado pacote Propag.

A Comissão de Administração Pública da Casa definiu que vai promover 13 audiências públicas, para tratar, de forma individualizada, de cada um dos projetos do arcabouço. O “fatiamento” das discussões foi sugerido pela deputada Beatriz Cerqueira (PT). Outros parlamentares da oposição, além do independente Sargento Rodrigues (PL), compraram a ideia e passaram a fazer coro à proposta.

Como já mostrou O Fator, o pacote Propag é composto por um texto-base, que autoriza o estado a ingressar no programa e estabelece um teto de gastos públicos, e por documentos complementares, que tratam de temas como a federalização de estatais. Há, por exemplo, uma proposta que versa exclusivamente sobre a possibilidade de transferência à União da gestão da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), responsável por explorar, em sociedade com a privada CBMM, o nióbio de Araxá, no Alto Paranaíba.

O governo Zema ainda quer entregar ao governo federal ativos como a Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) e a Empresa Mineira de Comunicação (EMC).

Deputados de oposição a Zema têm colocado a federalização da Codemig como prioridade. O Propag diz que os estados poderão abater, de cara, 20% de seus passivos por meio de federalizações. Como a dívida de Minas está em torno de R$ 162 bilhões, seria preciso reunir ao menos R$ 33 bilhões em bens para conseguir a amortização imediata

Parlamentares avaliam que, se cálculos indicarem que só com a Codemig será possível chegar a esse patamar, os debates sobre a federalização da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) perderão força. Os projetos a respeito da privatização das duas estatais, embora tenham protocolados na Assembleia em novembro do ano passado, também compõem o arcabouço do Propag, uma vez que receberão adequações com vistas a uma possível transferência à União.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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