A equipe de Flávio Bolsonaro tentou convencer Romeu Zema (Novo) a anunciar apoio ao candidato do PL durante o debate presidencial da TV Globo, nesta quinta-feira (1º). O ex-governador mineiro ouviu a proposta, mas resistiu à ideia de abrir mão da própria candidatura e, até o momento, mantém a decisão de seguir na disputa até o fim.
Interlocutores ouvidos por O Fator relatam que as conversas por uma composição de última hora se intensificaram recentemente. Na conta, chegou a ser discutida também a possibilidade de um apoio de Flávio ao candidato ao governo de Minas, Mateus Simões (PSD), sucessor do ex-governador. Zema recusou a articulação.
A movimentação expõe uma divisão dentro do próprio Novo. Uma ala do partido defende que Zema desista da candidatura e apoie Flávio, sob o argumento de que a união das forças de direita poderia fortalecer o campo conservador.
Do outro lado, dirigentes e aliados mais próximos ao ex-governador defendem a manutenção da candidatura até o fim do 1° turno, como forma de preservar o projeto nacional do partido e garantir a presença do Novo na disputa presidencial.
Para aliados de Zema, o calendário eleitoral também pesa contra uma mudança de rota. A eleição acontece em três dias, o que reduziria o efeito prático de um eventual apoio formal a Flávio e deixaria pouco espaço para uma composição política capaz de modificar os rumos da corrida. A avaliação é de que não faria sentido retirar Zema da disputa neste momento sem uma contrapartida política definida.
Outra tentativa
A ideia de atrelar uma eventual renúncia de Zema ao apoio de Flávio Bolsonaro a Mateus Simões não é propriamente nova. Como O Fator mostrou no início da semana, o PSD chegou a tentar a manobra por meio da desistência de Flávio Roscoe (PL) da eleição para o Executivo estadual. A decisão do ex-governador de se manter no páreo nacional, contudo, freou a conversa.
Durante a semana, integrantes do PL mineiro chegaram a debater a possibilidade de saída de Roscoe. A conversa, contudo, não estava relacionada à candidatura de Simões, mas à simpatia de parte da legenda a Cleitinho Azevedo, do Republicanos.
O aval de Flávio Bolsonaro e do deputado federal Nikolas Ferreira ao empresário ajudaram-no a se manter candidato. No fim das contas, a legenda chegou a um meio termo, autorizando filiados a se manifestarem em prol de Cleitinho sem o risco de punição.